Obama confessa ter “preocupações” sobre presidência de Trump

Presidente americano diz que alguns aspectos do temperamento do magnata não vão ajudá-lo

Redação Internacional

14 de novembro de 2016 | 22h10

WASHINGTON – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confessou nesta segunda-feira estar preocupado com os efeitos que a presidência do republicano Donald Trump possam ter no país.

“Se tenho preocupações perante a presidência de Trump? Claro”, afirmou Obama em sua primeira entrevista coletiva após as eleições presidenciais de 8 de novembro, na qual abordou o processo de transição da Casa Branca e sua última viagem internacional que começará nesta terça-feira.

Presidente dos EUA, Barack Obama, caminha na Casa Btanca (Foto: AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

Presidente dos EUA, Barack Obama, caminha na Casa Btanca (Foto: AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

“O governo federal e nossa democracia não são uma lancha rápida, são um transatlântico. Isso nos exigiu muito trabalho, até mesmo em nossos primeiros dois anos. Eu lhe aconselhei que, antes que se comprometa com certas coisas, reflita realmente”, explicou Obama.

O presidente americano afirmou ainda que “alguns aspectos” do “temperamento” de Trump “não vão ajudá-lo” na Casa Branca “a menos que os reconheça e os corrija”.

“O que está claro é que foi capaz de aproveitar a ansiedade, mas também o entusiasmo dos eleitores de uma maneira impressionante”, acrescentou.

“Se as coisas piorarem (sob o mandato de Trump), o povo americano se dará conta muito rápido. Se melhorarem, serei o primeiro a felicitá-lo”, completou.

Nesse sentido, Obama ressaltou que “o povo falou” nas eleições e escolheu Trump para ser o próximo líder dos EUA, razão pela qual é preciso dar “espaço” ao magnata para que tome suas próprias decisões.

Obama lembrou que as crises em qualquer parte do mundo podem, rapidamente, causar impacto nos Estados Unidos e é necessário que o presidente tome decisões em questão de horas, para o que necessita uma equipe capaz de processar quantidades enormes de informação.

“A quantidade de informação que chega e que é preciso processar aumenta rapidamente e isso é difícil”, assegurou Obama. Ele que afirmou que transmitiu essas reflexões a Trump em seu encontro na semana passada em Washington.

“Eu lhe disse que o mais importante é como formar sua equipe, especialmente o chefe de gabinete, os conselheiros da Casa Branca, o Conselho de Segurança Nacional”, indicou.

Obama disse também ter insistido ao magnata sobre a importância de “dar sinais de unidade” como nação depois da campanha de divisão que o multimilionário protagonizou antes de ser eleito.

“Eu lhe disse, como disse publicamente, que pela natureza das campanhas, pela amargura e pela ferocidade das campanhas, é realmente importante tentar enviar sinais de unidade e tentar chegar aos grupos minoritários, às mulheres e a outros que estão preocupados com o tom da campanha”, ponderou Obama. / EFE

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