Obama desmente versão de Trump de que EUA vivem o caos

Obama desmente versão de Trump de que EUA vivem o caos

Redação Internacional

22 de julho de 2016 | 20h22

Cláudia Trevisan
Correspondente / Washington

O presidente Barack Obama disse ontem que a visão apocalíptica dos EUA apresentada por Donald Trump em seu discurso na Convenção Republicana não corresponde à realidade. “Essa ideia de que o país está de alguma forma à beira do colapso, essa visão de violência e caos em todos os lugares não está de acordo com a experiência da maioria das pessoas.”

No pronunciamento com o qual aceitou candidatura à presidência, na quinta-feira, Trump apresentou a imagem de um país em decadência, com elevados índices de criminalidade, sem controle de suas fronteiras e ameaçado por inimigos domésticos e externos. Obama respondeu que os índices de crimes violentos estão em queda e o número de imigrantes ilegais que cruzam a fronteira é menor que o registrado durante o governo de seu antecessor republicano, George W. Bush.

“Não tomaremos boas decisões com base em medos que não são sustentados pelos fatos”, disse Obama em entrevista ao lado do presidente do México, Enrique Peña Nieto. Além de Bush, o democrata comparou as estatísticas de sua gestão com as do governo Ronald Reagan, presidente idolatrado como modelo de conservadorismo pelos republicanos.

Segundo Obama, o número de crimes violentos está no patamar mais baixo em quatro décadas. “É verdade que vimos um aumento de assassinatos e crimes violentos em algumas cidades neste ano”, reconheceu. “Ainda assim, os índices de homicídios e de violência hoje são muito menores do que quando Reagan era presidente e menor do que quando assumi.”

A segurança ocupou lugar central no discurso de Trump, que se apresentou como o candidato da lei e da ordem. Ele enfatizou os recentes assassinatos de policiais e os atentados dentro e fora do país para reforçar seu argumento de que o país está mergulhado no caos. O bilionário reiterou sua proposta de construir um muro na fronteira com o México, mas não mencionou sua promessa de obrigar o país vizinho a pagar por ele. Ao lado da China, o México é o principal bode expiatório da retórica de Trump contra acordos comerciais e a globalização.

 

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