Obama discutirá extensão de sanções contra Moscou antes de Trump assumir

Obama discutirá extensão de sanções contra Moscou antes de Trump assumir

Presidente pediu a cidadãos gregos que trabalhem para mudar rumo da globalização e reduzir a desigualdade; democrata se reúne com a chanceler Angela Merkel, em Berlim

Redação Internacional

16 de novembro de 2016 | 20h46

ATENAS – Barack Obama chegou nesta quarta-feira a Berlim em sua última viagem à Europa como presidente dos EUA. Entre hoje e amanhã, ele discutirá com líderes europeus a extensão das sanções contra a Rússia, vigente até o fim de janeiro. Donald Trump, que assumirá a Casa Branca no dia 20 de janeiro, deu sinais de que pretende se aproximar dos russos.

Conforme a agência Reuters, os chefes de Estado da Alemanha, França, Itália e Espanha discutirão com o líder americano a renovação das sanções a Moscou por sua intervenção na Ucrânia e debaterão novas punições pela participação em bombardeios à Síria. Há preocupação de que Trump se movimente em sentido contrário.

US President Barack Obama makes his way to his car after disembarking from Air Force One on November 16, 2016 at Berlin's Tegel airport. US President Barack Obama pays a farewell visit to German Chancellor Angela Merkel, widely seen as the new standard bearer of liberal democracy since the election of Donald Trump. / AFP PHOTO / dpa / Rainer Jensen / Germany OUT

Obama chega a Berlim, onde terá um encontro de despedida com a chanceler Angela Merkel

Líderes opositores sírios, que também estarão na capital alemã, defendem a ampliação da pressão econômica sobre os russos, que apoiam o governo do ditador Bashar Assad. Funcionários europeus temem que o Kremlin use o período que antecede a posse de Trump para ampliar sua ofensiva militar.
Depois de passar pela Grécia, Obama deve se encontrar nesta quinta-feira com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Em Atenas, ele falou mais uma vez sobre a transição de poder para Trump e afirmou que os EUA são maiores do que qualquer um. Em um discurso com referências àquilo que a Grécia “deu à humanidade”, o presidente americano não citou diretamente Trump, mas fez alusões ao republicano.
“O próximo presidente e eu não poderíamos ser mais diferentes, mas a democracia americana é maior do que qualquer pessoa.”

Obama disse acreditar que o futuro americano estará garantido enquanto houver fé na democracia e não se abandonarem os princípios democráticos. Ele voltou a explicar que trabalhará com a equipe do magnata nas próximas semanas.

“A democracia pode ser complicada. Acreditem em mim, eu sei”, acrescentou o líder americano, que está prestes a deixar a Casa Branca após dois mandatos, nos quais enfrentou embates no Congresso liderado pelos republicanos.

Globalização. Na terça-feira, após uma reunião com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, Obama admitiu estar surpreso com a vitória de Trump e ressaltou que o magnata conseguiu capitalizar apoio sobre “a desconfiança com a globalização, as elites e as instituições”. Por isso, nesta quarta-feira Obama voltou a fazer um apelo por uma “mudança de rumo” na globalização, a fim de reduzir as desigualdades.

“As desigualdades gritantes, entre os países e dentro dos próprios territórios nacionais, nutrem um profundo sentimento de injustiça”, ressaltou o democrata após uma visita à Acrópole. “O aumento das disparidades sociais, combinado com um melhor conhecimento da sua existência, é uma mistura explosiva”, advertiu, pedindo ao mundo que garanta que os benefícios da globalização “sejam compartilhados mais amplamente e por mais pessoas”.

“Hoje, mais do que nunca, o mundo precisa de uma Europa democrática”, disse Obama. O continente atravessa uma crise de confiança e terá uma série de eleições nacionais em que líderes populistas se perfilam como fortes candidatos.

Segurança. Obama também falou da polêmica sobre o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sob o governo de Trump. Ele disse ter confiança de que os EUA manterão os compromissos com a aliança, em uma tentativa de tranquilizar seus aliados.

“Hoje, a Otan, a maior aliança do mundo, está tão forte e preparada quanto antes. E tenho confiança de que, como o compromisso dos EUA com a aliança transatlântica dura sete décadas, seja com um governo democrata ou republicano, esse compromisso continuará. Incluindo nossa promessa e obrigação de defender cada aliado”, afirmou Obama.

Após a vitória de Trump, o democrata disse que sua intenção nessa viagem era transferir a seus “aliados mais próximos” o compromisso do presidente eleito com seus parceiros estratégicos e com a Otan. / AFP, REUTERS e EFE

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