Destino da república está sobre seus ombros, diz Obama a eleitores

Destino da república está sobre seus ombros, diz Obama a eleitores

Presidente dos EUA diz que ninguém envolvido na apuração do FBI deve influenciar a eleição com ‘insinuações’; foi a primeira vez que a Casa Branca condenou abertamente a reabertura do processo sobre as mensagens da candidata democrata

Redação Internacional

02 de novembro de 2016 | 15h28

Cláudia Trevisan
Correspondente/Washington

A cinco dias da eleição americana, o presidente Barack Obama criticou nesta quarta-feira, 2, a decisão do FBI de anunciar uma investigação sobre os e-mails de uma das assessoras de Hillary Clinton e fez o seu mais contundente discurso em defesa da aliada democrata. Com pesquisas mostrando uma disputa cada vez mais acirrada, Obama disse que o republicano Donald Trump é uma ameaça à democracia nos EUA.

“Eu detesto colocar um pouco de pressão sobre vocês, mas o destino da república está sobre os seus ombros. O destino do mundo está balançando”, disse Obama na tarde de hoje em discurso na Carolina do Norte, um dos Estados cruciais na eleição americana, cujo eleitorado varia entre os dois partidos e podem decidir a eleição.

Obama faz campanha para Hillary em Ohio; presidente americano criticou diretor do FBI (FOTO: Ty Wright/Getty Images/AFP)

Obama faz campanha para Hillary em Ohio; presidente americano criticou diretor do FBI (FOTO: Ty Wright/Getty Images/AFP)

Durante a manhã, ele havia censurado a atuação do FBI. “Eu acredito que haja uma norma que, quando há investigações, nós não operamos com insinuações, não operamos com base em informações incompletas e não operamos com base em vazamentos.” O diretor do FBI, James Comey, está sob ataque desde sexta-feira, quando anunciou que a instituição analisaria e-mails de uma das principais assessoras de Hillary para determinar se eles contêm informações confidenciais.

Críticos dos dois partidos o acusam de interferir no processo eleitoral e desrespeitar a regra que proíbe comentários sobre investigações em andamento. Em carta ao Congresso, Comey disse não saber se o conteúdo das mensagens é “significativo”. Com o seu legado em jogo na atual disputa, Obama defendeu sua ex-secretária de Estado. “Eu não a estaria apoiando se não tivesse absoluta confiança em sua integridade.”

Nos últimos dias da campanha eleitoral, os democratas despacharam seus principais representantes para os mais cobiçados Estados-chave americanos. Depois da Carolina do Norte, Obama estará amanhã na Flórida. Nos dois Estados, a participação de negros no período de votação antecipada está abaixo do registrado nas duas últimas eleições.

O vice-presidente Joe Biden fez campanha na Flórida e o senador Bernie Sanders esteve em Michigan, uma sólida base democrata que Trump tenta conquistar. Considerados dois dos mais cruciais Estados da disputa, a Flórida e a Carolina do Norte continuarão no roteiro de Obama até sábado. O presidente participou de nove eventos de campanha de Hillary nas últimas semanas e tem mais cinco previstos até a segunda-feira, véspera da eleição.

Obama afirmou que seu nome não estará na cédula, mas que o futuro do país e seu legado, sim. “Equidade estará na cédula, decência estará na cédula, justiça estará na cédula, progresso está na cédula, nossa democracia estará na cédula.”

Seu principal objetivo era mobilizar os eleitores. Dados históricos mostram que quanto maior o grau de participação nas urnas, maiores são as chances de os democratas vencerem eleições. O presidente fez apelos diretos aos negros, com a lembrança da luta pelo direito de voto nos anos 50 e 60. “Nós não vamos votar? Qual é a desculpa?”, perguntou.

Pesquisas divulgadas hoje pela CNN mostraram um cenário misto para Hillary em alguns dos Estados-chave. Na Pensilvânia, sua vantagem sobre Trump subiu para quatro pontos (48% a 44%). No fim de setembro, a vantagem era de 45% a 44%. Na Flórida, a democrata assumiu a dianteira com uma diferença de dois pontos: 49% a 47%. No levantamento anterior, Trump tinha 47% e Hillary, 44%.

A democrata fez campanha hoje no Arizona, Estado tradicionalmente republicano, mas onde suas chances aumentaram em razão do crescimento do eleitorado hispânico.

 

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