Obama e líderes da UE concordam em prorrogar sanções à Rússia

Obama e líderes da UE concordam em prorrogar sanções à Rússia

Em última sua última viagem ao exterior, presidente americano reitera compromisso com a Otan e alerta para envolvimento de Moscou na Ucrânia e na Síria

Redação Internacional

18 de novembro de 2016 | 18h31

BERLIM – O presidente americano, Barack Obama, concluiu nesta sexta-feira, 18, sua última viagem à Europa com uma reunião com os cinco principais líderes da União Europeia. No encontro, eles reiteraram a importância de fortalecer a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) após a eleição do republicano Donald Trump e ameaçaram a Rússia com a manutenção de sanções em virtude das crises na Ucrânia e na Síria.

Participaram do encontro com Obama a chanceler alemã Angela Merkel, os premiês da Espanha, Mariano Rajoy, da Itália, Matteo Renzi, e do Reino Unido, Theresa May, além do presidente francês, François Hollande. O americano não conversou com a imprensa e deixou Berlim para uma viagem para o Peru, onde participará de uma reunião sobre o Tratado Trans Pacífico (TPP).

Obama se despede de Berlim em sua última viagem internacional (AFP PHOTO / CLEMENS BILAN)

Obama se despede de Berlim em sua última viagem internacional (AFP PHOTO / CLEMENS BILAN)

“Todos concordaram de maneira unânime com a necessidade de a Rússia cumprir o previsto nos acordos de Minsk sobre o conflito na Ucrânia e que as sanções contra Moscou devem permanecer até que isso aconteça”, informou em nota a Casa Branca. A prorrogação das sanções, no entanto, ainda não foi sacramentada.

Obama e os líderes europeus defendem também que o cessar-fogo no leste da Ucrânia seja duradouro e eficaz e eleições livres e justas sejam realizadas nas províncias de Donetsk e Luhansk para que as sanções contra Moscou sejam retiradas.

Assim como fez ao longo de sua última viagem à Europa, Obama voltou a tranquilizar os líderes europeus sobre os compromissos de Trump com a aliança atlântica, em meio ao ceticismo com a proximidade do presidente eleito e o líder russo, Vladimir Putin. Durante a campanha, o magnata deu declarações de que não se sentiria obrigado a defender membros da Otan no Leste Europeu diante de um ataque russo.

“O presidente mostrou sua confiança em que, mesmo num momento de grande mudança, os valores democráticos fazem mais do que qualquer outro sistema pelo progresso e liberdade da humanidade. E isso continuará”, acrescenta o comunicado da Casa Branca sobre o encontro.

Os líderes ocidentais também falaram da necessidade de estabilizar o norte da África, o Oriente Médio e alcançar uma solução diplomática para os confrontos na Síria e na Ucrânia. Depois do encontro, ao lado de Rajoy, Merkel disse que as potências não discutiram a imposição de sanções à Rússia em virtude do envolvimento de Moscou no conflito sírio, como quer a oposição moderada ao regime de Bashar Assad.

Obama e os líderes europeus pediram pelo fim dos ataques a bairros de Aleppo controlado por rebeldes. EUA e UE pedem uma solução política para o fim da guerra síria que envolva a saída de Assad do poder. Trump, por seu lado, diz que o combate ao Estado Islâmico (EI) é uma prioridade maior.

Obama cumprimenta Merkel (AFP PHOTO / TOBIAS SCHWARZ)

Obama cumprimenta Merkel (AFP PHOTO / TOBIAS SCHWARZ)

Confiança. O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, disse que tem total confiança de que Trump irá liderar a aliança militar e espera conversar com ele em breve.

“Estou absolutamente confiante de que o presidente Trump irá manter a liderança dos EUA na aliança”, disse Stoltenberg em uma coletiva de imprensa em Bruxelas.

O secretário-geral afirmou ainda que Stoltenberg afirmou que defenderá junto a Trump um investimento crescente na defesa europeia. “Você tem que aumentar os gastos com a defesa quando as tensões crescem”, disse Stoltenberg, citando países em colapso no norte da África, a ameaça de militantes islâmicos e a anexação russa da Crimeia em 2014 como prova.”Começamos a nos mexer, embora haja um longo caminho a percorrer.”/ AP e REUTERS

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