Obama qualifica Trump de ‘incapaz’ e chama republicanos a abandoná-lo

Presidente diz que declarações do republicano sobre família de militar morto e desconhecimento sobre problemas mundiais tornam magnata inadequado para o cargo

Redação Internacional

02 Agosto 2016 | 16h50

WASHINGTON – Em sua crítica mais forte direcionada a Donald Trump até agora, o presidente dos Estados, Barack Obama, disse nesta terça-feira, 2, que o candidato à presidência americana é incapaz de exercer o cargo e exortou o Partido Republicano a abandonar o apoio ao magnata na eleição de novembro.

Nos últimos dias, Trump atacou a família do capitão Humayun Khan, militar americano muçulmano morto no Iraque, e colocou em dúvida a lisura do processo eleitoral americano. Em meio a várias críticas a Trump em seu próprio partido, ao menos um deputado republicano anunciou publicamente seu voto em Hillary Clinton.

“A questão a que os republicanos devem responder é: se você tem repetidamente condenar o que ele tem dito, por que ainda o apoia?”, declarou o presidente na Casa Branca após reunião com o premiê de Cingapura, Lee Hsien Loong. “Os comentários dele sobre a família Khan mostram que ele é horrivelmente despreparado para esse cargo.”

Obama afirmou ainda que Trump não tem o preparo intelectual necessário sobre questões mundiais envolvendo a União Europeia, o Oriente Médio e a Ásia. “Não é o caso de uma gafe temporária. Acontece todo dia”, disse. “Chega uma hora que você tem de dizer: ‘esse não é alguém que posso apoiar para a presidência dos Estados Unidos, mesmo que seja membro do meu partido.'”

As declarações de Obama não foram repercutidas pelo alto escalão do Partido Republicano. No entanto, o deputado Richard Hanna, um republicano de Nova York, declarou voto em Hillary Clinton – algo raro em disputas presidenciais.

“Trump é despreparado para servir como presidente e comandante-chefe”, disse. “Estou perplexo com os comentários dele. Ele é uma vergonha nacional. Queremos mesmo dar os códigos nucleares para ele?”

Trump, por sua vez, rebateu as declarações de Obama com ataques à sua rival democrata, Hillary Clinton, abraçou políticas que prejudicaram a segurança nacional dos Estados Unidos e os trabalhadores do país.

“Hillary Clinton se provou despreparada para servir em qualquer governo”, disse Trump em comunicado pouco depois de Obama fazer um duro ataque a ele e desafiar os líderes republicanos a retirarem o apoio ao que chamou de um candidato “calamitosamente despreparado”.

Mais cedo, em discurso na Virgínia, Trump acusou Hillary de mentir sobre o ataque ao Consulado dos Estados Unidos de Benghazi, quando era secretária de Estado. “Ela é mentirosa”, disse ele, aos gritos de “Prendam-na”, da plateia.

No evento de campanha, Trump voltou a criticar líderes mundiais como a chanceler alemã, Angela Merkel, por sua posição na crise dos refugiados na Europa. Trump defende proibir a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos.

Na noite de segunda-feira, em meio ao amplo criticismo que sofreu dentro e fora do partido nos últimos dias, Trump disse temer que as eleições possam ser “fraudadas”. Ele também afirmou que se Hillary vencer, os democratas poderão nomear a maioria dos juízes da Suprema Corte, o que transformaria os Estados Unidos numa “Venezuela de grandes proporções.”/ REUTERS e NYT

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