Obama recebe nesta quinta-feira sucessor que quer rever seu legado

Obama recebe nesta quinta-feira sucessor que quer rever seu legado

Presidente se reunirá com Trump para iniciar a transição; propostas do republicano atacam diretamente as bandeiras do atual líder

Redação Internacional

10 de novembro de 2016 | 07h03

Cláudia Trevisan

ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK

NOVA YORK – Com seu legado ameaçado por algumas das principais propostas de Donald Trump, Barack Obama receberá seu sucessor nesta quinta-feira, 10, na Casa Branca para iniciar o processo de transição. Democratas e republicanos abandonaram nesta quarta-feira, 9, o tom agressivo da campanha e defenderam a união do país em torno do presidente eleito.

Mudanças. Presidente defende espírito de união (Foto: Joshua Roberts/Reuters)

Mudanças. Presidente americano Barack Obama defende espírito de união (Foto: Joshua Roberts/Reuters)

“A transição pacífica de poder é uma das marcas de nossa democracia. E, ao longo dos próximos meses, nós vamos mostrar isso para o mundo”, afirmou Obama, que se empenhou firmemente na tentativa de eleger a sucessora. O fracasso nas urnas também foi percebido como uma derrota do atual líder que, paradoxalmente, tem a popularidade em alta.

Obama telefonou para Trump às 3h30 desta quarta-feira para cumprimentá-lo pela vitória e convidá-lo para estar nesta quinta-feira na Casa Branca. “Não é segredo para ninguém que o presidente eleito e eu temos diferenças significativas”, observou. Mas o presidente disse ter ficado entusiasmado com o tom da conversa com Trump e do discurso de vitória do republicano, no qual ele defendeu a união.

“É disso que nosso país precisa, um senso de união, um senso de inclusão, um respeito por nossas instituições, por nosso estilo de vida, pelo Estado de Direito e o respeito de uns aos outros”, declarou Obama, que disse esperar que esses princípios inspirem Trump.

“Todo mundo fica triste quando o seu lado perde uma eleição, mas, no dia seguinte, nós temos de lembrar que nós estamos todos no mesmo time”, disse Obama, que repetiu na campanha eleitoral que Trump era despreparado para ocupar a presidência e representava uma ameaça à democracia americana. “Nós não somos democratas em primeiro lugar, nós não somos republicanos em primeiro lugar, nós somos americanos em primeiro lugar. Nós somos patriotas em primeiro lugar.”

Opostos. O republicano liderou o movimento que em 2012 colocou em dúvida o local de nascimento de Obama, em uma tentativa de minar a legitimidade do primeiro negro a ocupar a Casa Branca. Em sucessivos comícios, Trump afirmou que Obama é o pior presidente da história dos EUA.

Agora, ele terá a chance de desfazer algumas das principais realizações dos oito anos de gestão do democrata. Trump prometeu revogar o acordo nuclear com o Irã, acabar com o Obamacare e anular 2.000 regulações da atividade econômica – muitas delas na área ambiental.

O ceticismo de Trump em relação ao aquecimento global e sua defesa do uso do carvão e do petróleo como fontes de energia também colocaram em dúvida o seu compromisso com o Acordo de Paris, pelo qual dezenas de países se comprometeram a reduzir suas emissões de gases que provocam o efeito estufa. Obama foi um dos principais defensores do tratado, que se transformou em uma de suas conquistas diplomáticas. O governo do democrata também se empenhou durante sete anos na negociação da Parceria Transpacífica (TPP), o acordo de livre comércio que reúne 40% do PIB global e estava no centro da política para fortalecer os laços dos EUA com a Ásia.

Trump fez seu discurso de vitória após receber um telefonema da adversária, que o cumprimentou pela vitória. “Hillary trabalhou por muito tempo e de maneira árdua, por um longo período de tempo, e nós temos com ela uma grande dívida de gratidão pelo seu serviço ao nosso país”, declarou.

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