Obama rejeita alegações de Trump de manipulação eleitoral e diz a ele para parar de ‘choramingar’

Obama rejeita alegações de Trump de manipulação eleitoral e diz a ele para parar de ‘choramingar’

Líder afirma ainda que a afinidade de republicano com o presidente russo, Vladimir Putin, é sem precedentes e está preocupado que outros do seu partido estejam apoiando posições do candidato sobre a Rússia

Redação Internacional

18 Outubro 2016 | 20h17

WASHINGTON – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, criticou duramente Donald Trump nesta terça-feira, 18, em razão de suas repetidas afirmações de que as eleições do dia 8 estão manipuladas contra ele, dizendo ao candidato republicano para “parar de choramingar e tentar apresentar suas propostas para conseguir votos”.

Com pesquisas de opinião mostrando que ele está ficando ainda mais para trás nos últimos dias na disputa presidencial contra a democrata Hillary Clinton, Trump tem intensificado as alegações, apesar de vários estudos mostrarem que fraude nas eleições dos Estados Unidos é algo raro.

President Barack Obama answers a question during a joint news conference with Italian Prime Minister Matteo Renzi in the Rose Garden of the White House in Washington, Tuesday, Oct. 18, 2016. (AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

Presidente Barack Obama durante entrevista na Casa Branca. Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP

Obama foi questionado nesta terça-feira sobre as declarações de Trump numa entrevista conjunta na Casa Branca, após reuniões com o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi.

Ele reagiu com um ataque enfático contra o candidato republicano, observando que eleições nos EUA são administradas e monitoradas por autoridades locais que podem bem ter sido indicadas por governadores de Estado republicanos, e dizendo que casos de fraude significativos não são encontrados em votações americanas.

Obama afirmou que não havia pessoa séria que sugeriria ser possível manipular eleições americanas, acrescentando: “Eu convidaria Trump a parar de choramingar e tentar defender suas propostas para conseguir votos”.

Trump tem levantado há meses possibilidade de atividades ilegais que poderiam afetar os resultados eleitoras de novembro, e ele tem pedido a simpatizantes que apareçam em locais de votação no dia 8. O bilionário intensificou suas alegações nos últimos dias, apesar de advogados republicanos chamarem as suas declarações de infundadas.

O empresário de Nova York do setor imobiliário está sete pontos atrás de Hillary em pesquisas nacionais, segundo uma média dos levantamentos feita pelo RealClear Politics.

Durante toda a campanha eleitoral, Hillary tem dito que Trump, com a sua retórica desagregadora e ataques contra muçulmanos e minorias, não é qualificado para liderar os EUA.

Obama fez coro, dizendo que o foco de Trump na manipulação eleitoral “não mostra o tipo de liderança e firmeza que você quer num presidente. Você começa a choramingar antes mesmo de o jogo terminar?”.

O presidente completou: “Se sempre que as coisas vão mal para você…você começa a culpar o outro, então você não tem o que é necessário para esse trabalho”.

Putin. Na mesma entrevista, Obama afirmou que a afinidade de Trump com o presidente russo, Vladimir Putin, é sem precedentes e ele está preocupado que outros republicanos estejam apoiando posições do candidato presidencial republicano sobre a Rússia.

“A contínua adulação do sr. Trump ao sr.Putin e o grau em que ele parece modelar muitas das suas políticas e abordagens à política do sr. Putin é sem precedentes na política americana”, disse Obama.

Ao afirmar que o “sr. Trump raramente me surpreende nos dias de hoje”, Obama disse estar muito mais preocupado em ver o apoio à posição do candidato sobre Putin e a Rússia por parte de autoridades republicanas, que historicamente eram anti-Rússia.

Historicamente, políticos republicanos adotam ou parecem adotar uma linha mais dura em relação à antecessora da Rússia, a União Soviética, inimiga dos EUA na Guerra Fria.

Obama afirmou que o comportamento da Rússia tem minado normas internacionais e qualquer sugestão de que os EUA têm prejudicado os interesses russos está equivocada.

“Pensamos que a Rússia é um país grande, importante, com Forças Armadas que perdem apenas para nós e tem de ser uma parte da solução no cenário mundial, em vez de parte do problema”, disse Obama ao lado de Renzi.

“Mas o seu comportamento tem minado as normas internacionais”, afirmou Obama, citando “a agressão russa na Ucrânia” e outras ações.

A Rússia foi condenada internacionalmente em 2014 por sua anexação da Crimeia, que pertencia à Ucrânia, e seu apoio a separatistas pró-russos no leste da Ucrânia. / REUTERS

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