Para analistas, Hillary enfrenta melhor o terror

Para analistas, Hillary enfrenta melhor o terror

Especialistas em conflitos veem democrata como mais capacidade para enfrentar grupos radicais

Redação Internacional

14 Agosto 2016 | 05h00

Jéssica Otoboni

Os recentes atentados terroristas em Nice, na França, Munique, na Alemanha e em Orlando, nos Estados Unidos, aumentaram a pressão sobre os candidatos à Casa Branca com relação aos projetos de governo para impedir ataques e combater ações do grupo Estado Islâmico (EI). A democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump têm até o início de novembro para convencer os americanos de que são capazes deixar o país mais seguro.

Em seu programa antiterror, a ex-secretária de Estado afirma que “não basta conter o EI e a ameaça do jihadismo radical, é preciso derrotá-los”. Para isso, ela pretende intensificar a campanha da coalizão que combate os extremistas no Iraque e na Síria, potencializar a parceria com agências de inteligência europeias para identificar possíveis terroristas e trabalhar com empresas de tecnologia para combater a propaganda virtual de organizações jihadistas.

As propostas do magnata republicano são mais vagas e focam em ações como a construção de um muro na fronteira com o México, o aumento das penalidades para pessoas com vistos vencidos e a proibição da entrada de muçulmanos em território americano. Para Trump, é preciso “parar de dar vistos de imigrantes legais a indivíduos determinados a causar danos ao país”.

“Donald Trump e Hillary Clinton têm ideias muito diferentes sobre o combate ao terrorismo, tanto nos EUA quanto fora do país”, argumenta Max Abrahms, professor de ciências políticas da Universidade Northeastern e especialista em conflitos e terrorismo. Para ele, o magnata é mais agressivo e defende um controle maior nas fronteiras. “Já Hillary é mais pacifista com relação ao combate ao terror”, destaca o analista.

“Proibir a entrada de imigrantes de países muçulmanos é irrelevante, pois a maioria dos atentados recentes foi conduzido por pessoas que viviam no local atacado”, diz Daniel Chirot, professor de estudos internacionais da Universidade de Washington.

Enquanto Hillary deve continuar a política de Obama de usar drones para atacar posições jihadistas e melhorar o trabalho em cooperação com as agências de inteligência internacionais, Trump seguirá com suas “tendências isolacionistas” e “reações impulsivas”. “Ela é uma das pessoas mais bem informadas sobre o que acontece no mundo, como são os outros países e como as variadas partes do governo americano trabalham”, destaca o professor Chirot.

Se a experiência como secretária de Estado pode impulsionar Hillary a conquistar mais eleitores e a pensar em uma estratégia mais eficaz para a política externa americana, o histórico de Trump como empresário pode não ter o mesmo efeito.

“Há uma quantidade considerável de informações erradas sobre o sucesso dele”, afirma o analista, mencionando o fato de que o magnata traiu colegas, levou alguns negócios à falência e foi processado várias vezes. Ser um showman não garante que ele seja bom em fazer política. “As ameaças de acabar com acordos comerciais e negligenciar a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) são características de alguém que não entende o que acontece no mundo”, explica Chirot.