Para Mike Pence, vice de Trump, Mulan é uma animação de ‘propaganda liberal’

Para Mike Pence, vice de Trump, Mulan é uma animação de ‘propaganda liberal’

Em texto de opinião escrito um ano depois do lançamento do filme, Pence criticou a ideia de que homens e mulheres tenham as mesmas funções e trabalhem juntos nas Forças Armadas

Redação Internacional

20 Julho 2016 | 12h28

WASHINGTON – Para o governador do Estado americano de Indiana, Mike Pence, escolhido por Donald Trump para ser seu candidato à vice-presidente, a animação Mulan, lançada em 1998 pela Disney, é uma ferramenta de “maliciosa propaganda liberal” criada para influenciar “as atitudes da próxima geração sobre as atitudes das mulheres em combate”.

A polêmica opinião de Pence sobre o filme – que se passada no período da Dinastia Han e retrata a história de uma mulher que se veste como homem para combater um Exército invasor – foi manifestada em um texto de opinião escrito em 1999, um ano após o lançamento da animação e redescoberto nesta semana pelo Buzzfeed.

No texto, Pence ataca o desenho por sugerir que uma mulher poderia lutar junto e forma igual a um homem, além de dizer que a parte romântica da história serviria como prova de que homens e mulheres heterossexuais são incapazes de servirem às Forças Armadas juntos sem que a questão sexual seja um problema.

“É educativo que, mesmo no filme da Disney, a jovem Mulan se apaixone por seu oficial superior! Penso que o pessoal politicamente correto da Disney não perceberam a completa ironia desta parte da história. Eles provavelmente adicionaram essa questão porque ela acrescenta realismo com o qual o espectador pode identificar com os personagens”, escreveu Pence, na ocasião.

“Acompanhem o raciocínio comigo: muitos homens jovens acham mulheres jovens atraentes sexualmente. Muitas mulheres jovens acham homens jovens atraentes sexualmente. Coloque esses grupos juntos, em um quartel fechado por longos períodos, e as coisas vão ficar interessantes. Como eles acabaram fazendo com a jovem Mulan. Moral da história: mulheres nas Forças Armadas é uma ideia ruim”, completou o político.

Nos Estados Unidos, as mulheres eram proibidas de servir na linha de frente de combates até 2013. Além disso, apenas em 2015 o secretário de Defesa, Ash Carter anunciou que todos os postos de combate estariam disponíveis para os candidatos independente do gênero.

Já a visão de Trump sobre mulheres na linha de frente dos combates não está totalmente definida, com o candidato republicano à Casa Branca tendo dado opiniões diferentes sobre o tema. Em agosto de 2015 ele afirmou que as mulheres deveriam ser autorizadas a participarem de combates “porque elas tem tudo a ver com o tema”, citando a lutadora de MMA Rhonda Rousey como um exemplo de mulher tão capaz quanto os homens.

Antes disso, no entanto, ele havia publicado mensagens em sua conta no Twitter afirmando que a integração nas Forças Armadas era uma ideia politicamente correta sugerida por “políticos burros”. “26 mil casos não relatados de abusos sexuais entre os militares – apenas 238 condenações. O que esses gênios esperavam ao colocar homens e mulheres juntos?”, questionou o magnata.