Partidários de Trump invadem comício democrata

Partidários de Trump invadem comício democrata

Participantes de evento de Hillary mostram tolerância com protesto de eleitores do candidato republicano

Redação Internacional

16 Agosto 2016 | 05h00

Carregando nas costas bandeiras com o nome Trump e o slogan “Tornar a América Grande de Novo”, os amigos Matt Catanzaro e Brian Wedlock decidiram manifestar seu apoio ao candidato republicano no evento que a democrata Hillary Clinton realizou ontem em Scranton, na Pensilvânia. “Ela veio a minha cidade e quero mostrar que há apoiadores de Trump aqui”, disse Catanzaro.

Os estudantes de 18 anos atraíram olhares e a curiosidade de fotógrafos e jornalistas, mas foram tolerados pelos participantes do comício. O que aconteceria se eles fossem eleitores de Hillary e fizessem o mesmo em um comício de Trump?, questionou a reportagem aos dois amigos.

Provavelmente, estaríamos no hospital ou algo parecido”, disse Wedlock. “O orgulho de Trump é tão grande, o orgulho de ser americano é tão grande, que algumas pessoas podem ficar agressivas.”

Catanzaro disse que o evento de ontem foi o segundo do qual participou usando símbolos da campanha do candidato republicano. “Saí mais cedo do primeiro porque não tolerava o que ela dizia. Mas tenho de dar crédito a Hillary, pois não fui ameaçado nem agredido”, afirmou. O estudante observou que não teve a mesma recepção em eventos de Bernie Sanders, derrotado na disputa pela candidatura democrata.

Os dois amigos elogiaram as posições de Trump em relação a imigrantes e sua proposta de construir um muro na fronteira com o México. “Ele vai criar muitos empregos para patrulhar a fronteira e construir o muro. E é uma boa ideia suspender de maneira temporária a imigração de muçulmanos, quando há tantos atentados terroristas no mundo”, disse Catanzaro.

“Apoio Trump porque ele fala o que pensa. Ele é um de nós. Só é muito mais rico que nós”, afirmou Wedlock. Em sua opinião, Hillary poderá desencadear uma guerra civil caso tente eliminar a Segunda Emenda da Constituição, que trata do direito ao porte de armas. A candidata defende checagens mais estritas de antecedentes para compradores de armas e a proibição da venda de fuzis semiautomáticos, mas nunca propôs a revogação da lei, o que só pode ser feito por decisão do Congresso.

Seguidores de Trump e da candidata do Partido Verde também se manifestaram do lado de fora do ginásio de esportes onde Hillary reuniu cerca de 3 mil pessoas. Em uma calçada, os verdes defendiam a legalização da maconha e sua candidata, Jill Stein. Do outro lado da rua, simpatizantes de Trump se reuniam em frente a um caminhão decorado com a foto do candidato e alguns de seus slogans de campanha: “Construa o muro” e “Mantenha a droga mexicana no México”.

O caminhão é de Bob Bolus, dono de uma empresa de guincho, que diz ter outros veículos com mensagens pró-Trump. “Tenho muito respeito por alguém que se levanta e representa a América gastando o próprio tempo e dinheiro”, disse, referindo ao candidato republicano.

Kayla Crowlley, de 26 anos, era uma das pessoas que protestavam em frente ao caminhão de Bolus. Carregando cartaz com os dizeres “Hillary para a prisão 2016”, Crowlley disse que não votará na democrata por considerá-la corrupta. Ecoando teorias conspiratórias repetidas nos programas de rádio de extrema direita, ela disse que 46 pessoas que conheciam os Clintons cometeram suicídio, afirmação que não tem nenhum fundamento na realidade.