Partido Democrata convida imigrantes ilegais para trabalhar na convenção

Partido Democrata convida imigrantes ilegais para trabalhar na convenção

Objetivo do comitê de campanha democrata é ressaltar a diferença entre Hillary Clinton e o republicano Donald Trump com relação à imigração

Redação Internacional

22 Julho 2016 | 10h50

NOVA YORK – O Partido Democrata dos Estados Unidos selecionou imigrantes sem documentos para trabalhar na convenção nacional da legenda, que será realizada na semana que vem, na tentativa de enfatizar a enorme diferença entre Hillary Clinton e seu rival republicano na corrida pela Casa Branca, Donald Trump, na abordagem da imigração.

A ex-secretária de Estado espera atrair os eleitores latinos às urnas no dia 8 de novembro para fortalecer suas chances contra o empresário, que em sua campanha tem prometido reprimir a imigração ilegal ao construir um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México e deportar milhões de estrangeiros em situação irregular se for eleito.

“Nossa nação é uma nação de imigrantes que acredita na inclusão, e é exatamente para isso que iremos continuar a trabalhar”, disse Leah Daughtry, executiva-chefe do comitê organizador da convenção na Filadélfia, que ocorrerá entre os dias 25 e 28 de julho. “As vozes dos corajosos jovens sem documentos de nossa nação será ouvida em alto e bom som”, acrescentou.

Entre os escolhidos estão dois membros dos comitês de credenciais e de plataformas políticas da convenção, assim como vários oradores. As funções não são remuneradas, disseram autoridades.

A campanha de Trump, que vem argumentando que a imigração descontrolada prejudica os trabalhadores americanos e mina a segurança nacional, criticou a medida. “Aparentemente, falar na convenção de Hillary Clinton é só mais um emprego que ela acredita que os americanos não aceitam”, afirmou um assessor da campanha do republicano em um comunicado por e-mail. “Ela deveria ter convidado americanos desempregados ao invés disso, ou vítimas de crime, ou agentes da lei”.

As seleções são legais em razão de um “programa de ação deferida” adotado pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que adia as deportações e oferece vistos de trabalho para alguns imigrantes levados ao país ainda crianças. Em junho, a Suprema Corte bloqueou os esforços para ampliar estas proteções.

As indicações marcam a primeira vez em que a convenção de um grande partido americano conta com tantos funcionários ilegais em suas fileiras. Embora tenha havido um orador sem documentos na convenção democrata de 2012, anteriormente a legenda não verificava a situação legal dos membros de seus comitês.

“Muda toda a conversa quando você tem alguém afetado diretamente na mesa”, disse Cesar Vargas, imigrante mexicano escolhido para integrar o comitê de plataformas políticas do partido.

Hillary já conta com o apoio majoritário das minorias – cerca de 70% são favoráveis a ela, segundo uma pesquisa de opinião Reuters/Ipsos. / Reuters