Convenção oficializa Hillary 1ª mulher com chance real de presidir os EUA

Convenção oficializa Hillary 1ª mulher com chance real de presidir os EUA

Em encontro democrata na Filadélfia, delegados do partido formalizam resultados das primárias e nomeiam ex-secretária de Estado como candidata e adversária do republicano Donald Trump para disputar a Casa Branca nas eleições de novembro

Redação Internacional

26 de julho de 2016 | 19h46

Cláudia Trevisan
ENVIADA ESPECIAL / FILADÉLFIA, EUA

Em uma convenção que começou sob a marca da divisão, Hillary Clinton conquistou nesta terça-feira, 26, a candidatura do Partido Democrata à presidência dos EUA em uma votação que terminou com um chamado à unidade por seu adversário, Bernie Sanders. “Proponho que Hillary Clinton seja escolhida como nomeada do Partido Democrata à presidência dos EUA”, declarou o senador, sob aplausos de milhares de delegados na Filadélfia.

Com o resultado, Hillary tornou-se a primeira mulher a disputar a Casa Branca por um grande partido americano. A vitória ocorreu oito anos depois de Hillary ser derrotada por Barack Obama em sua tentativa de disputar a eleição presidencial dos EUA, em 2008. No ano seguinte, ela se tornaria secretária de Estado do ex-adversário, função que desempenhou por quatro anos. Hillary fez um pronunciamento transmitido em um telão agradecendo o apoio do Partido Democrata e declarou que era um dia histórico para as mulheres dos EUA.

“Se alguma menina ficou acordada até tarde para me escutar, deixem-me dizer que eu posso ser a primeira mulher presidente dos EUA, mas uma de vocês será a próxima”, disse Hillary sob aplausos.

A intervenção de Sanders veio ao fim do processo de votação no qual representantes de cada Estado declararam os resultados das primárias, que se refletiram na divisão de delegados entre os candidatos. Hillary venceu em 28 dos 50 Estados e recebeu 16,85 milhões de votos, 3,68 milhões a mais que os dados a Sanders. A ex-secretária de Estado também teve apoio da maioria esmagadora dos superdelegados – ocupantes de cargos eletivos e dirigentes do partido que podem votar como quiserem.

Apesar de Hillary ter chegado à convenção com o número mínimo de delegados para garantir sua nomeação, o partido decidiu realizar uma votação nominal, durante a qual representantes de cada Estado diziam o total de delegados conquistados por Hillary e Sanders. Isso permitiu que os apoiadores do senador manifestassem suas posições, o que ajudou a reduzir sua insatisfação com o resultado das primárias.

A votação foi realizada por ordem alfabética. Quando chegou a vez de Vermont, Estado de Sanders, a delegação pediu para manifestar sua posição depois que todos os demais Estados tivessem votado. Ao fim do processo, Sanders integrou-se à delegação de seu Estado e sugeriu que o nome de Hillary fosse aprovado por aclamação. Em seguida, a responsável pelo encontro colocou a proposta em votação, que foi respondida por um “sim” quase unânime – alguns seguidores de Sanders gritaram “não”.

A votação ocorreu um dia após eleitores do senador protestarem dentro e fora da convenção contra Hillary, ameaçando a imagem de unidade que o partido pretendia projetar.

A escolha da ex-secretária de Estado foi celebrada por muitos oradores como uma conquista do movimento feminino e um novo passo do partido depois da eleição do primeiro presidente negro do país, em 2008. A sucessão de oradores que falou por seus Estados também evidenciou a diversidade do Partido Democrata, com a participação de mulheres, latinos, da comunidade LGBT, afro-americanos e indígenas.

O senador John Lewis, líder do movimento pelos direitos civis dos anos 60, foi um dos oradores que defenderam a candidatura de Hillary antes que os Estados votassem. Negro, Lewis lembrou que seu partido nomeou o primeiro candidato afro-americano à presidência e está pronto para quebrar outro “teto de vidro” com a eleição da primeira mulher ao cargo. “Viemos muito longe. Fizemos muito progresso. E não vamos voltar atrás”, declarou Lewis, para quem há “forças” nessa eleição que querem anular 50 anos de “progresso” obtido nos EUA na área de direitos civis.

A delegada de Vermont Shyla Nelson defendeu a candidatura de Sanders com o slogan repetido pelo senador e seus seguidores: “Nosso movimento continua. Nossa revolução continua”. Aos prantos, o irmão mais velho do candidato, Larry Sanders, protagonizou um dos momentos mais comoventes da votação. “Quero ler os nomes de nossos pais: Eli Sanders e Dorothy Glassberg Sanders. Eles não tiveram vidas fáceis e morreram jovens. Eles estariam imensamente orgulhosos de seu filho e suas conquistas.”

Hillary tem um dos mais extensos currículos na vida pública de qualquer candidato à presidência dos EUA. Primeira-dama de 1993 a 2001, ela se elegeu senadora e depois comandou a política externa do país como secretária de Estado. Na noite de hoje, Obama defenderá a eleição de Hillary em discurso na Filadélfia. Amanhã, Hillary fará o discurso de aceitação da candidatura, no qual deverá apresentar uma visão mais otimista do futuro dos EUA.

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