Para Trump, é ‘triste’ Hillary pedir recontagem

Para Trump, é ‘triste’ Hillary pedir recontagem

Bilionário critica rival que derrotou na eleição e recorda que durante a campanha foi acusado de querer impugnar votação

Redação Internacional

27 de novembro de 2016 | 16h24

WEST PALM BEACH, FLÓRIDA – O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo, 27, que “é triste” ver sua rival na eleição, Hillary Clinton, se unindo aos esforços para forçar uma recontagem dos votos em três Estados cruciais. Trump postou no Twitter uma parte do discurso em que Hillary admitiu sua derrota e no qual a ex-secretária de Estado diz a seus partidários “Donald Trump será nosso presidente”.

O republicano ainda pinçou fragmentos de comentários feitos nos debates quando Hillary criticou o então candidato adversário por se negar a dizer se aceitaria o resultado. Horas antes, o bilionário tinha qualificado como fraude o pedido de recontagem de votos em Wisconsin feito pelo Partido Verde.

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ignorou a maioria dos briefings com informações secretas (AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ignorou a maioria dos briefings com informações secretas (AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

“Isso é uma fraude do Partido Verde para uma eleição que já foi sofrida e seu resultado deveria ser respeitado em vez de ser desafiado e abusado, que é exatamente o que (a líder do Partido Verde) Jill Stein está fazendo”, disse Trump em um comunicado sobre a recontagem.

“Essa recontagem é apenas uma maneira para Jill Stein, que recebeu menos de 1% dos votos e nem sequer estava na cédula em muitos Estados, encher seus cofres com dinheiro, mais do que ela vai gastar nesse processo”, disse Trump.


Representantes do comitê de campanha de Hillary informaram na semana passada que planejavam participar do esforço para recontar as cédulas de votação em três Estados que deram vitória a Trump, segundo um advogado da ex-secretária de Estado, Marc Elias.

Em seu blog, Elias disse que seria importante para a campanha ser representada em qualquer procedimento legal e monitoramento público nos esforços de recontagem lançados pela candidata do Partido Verde.

Impasse. Uma disputa interna entre os assessores de Trump veio à tona hoje quando sua gerente de campanha alertou que o presidente eleito pode enfrentar uma “reação intensa” de apoiadores caso escolha Mitt Romney para ser secretário de Estado.

Para nomear o futuro comandante da diplomacia dos EUA, o republicano tem ponderado entre Romney, candidato presidencial republicano de 2012 que passou grande parte da campanha criticando Trump, e o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, que apoiou desde o início a campanha presidencial do magnata imobiliário.

Giuliani se encaixaria junto a outros leais e conservadores de linha dura que Trump escolheu até agora para integrar seu governo, mas tem sido criticado por trabalhar como consultor para governos estrangeiros. Com Romney, Trump poderia ajudar a unir seu partido e conquistar republicanos céticos.

Apesar de grande parte do debate ter ocorrido a portas fechadas, a gerente de campanha de Trump, Kellyanne Conway, advertiu que o magnata poderia irritar seus apoiadores caso opte por Romney, que o acusou de ser uma “fraude” e um “falso” durante a campanha.

“Eles se sentem traídos por pensar que Romney pode voltar após tudo o que fez – nem sabemos se ele votou em Trump. Por um ano, ele e seus consultores não foram nada para Trump”, disse ela no programa Meet the Press, da NBC. “Sou a favor da unidade do partido, mas não estou certa de que temos de pagar com a posição do secretário de Estado.”

Ela disse que apoiará Trump caso ele decida por Romney, mas outros republicanos a criticaram por falar à televisão, em vez de falar diretamente com o presidente eleito. “Espantado por ouvir publicamente de K. Conway, que pode falar pessoalmente com Trump, a porcaria de possibilidade de Romney como secretário do Estado”, escreveu Ana Navarro, estrategista republicana, em sua conta no Twitter. / REUTERS e AP

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