Populismo cresce no mundo

Populismo cresce no mundo

Vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais deste ano se soma à vitória do “Brexit” no Reino e do aumento da direita em países como Alemanha, Áustria e França

Redação Internacional

09 de novembro de 2016 | 12h15

Com a conquista do poder nos EUA, nas Filipinas, na Polônia e na Hungria, a vitória do “Brexit” no Reino Unido, e o crescimento eleitoral na Alemanha, na Áustria e na França, a onda populista se espalha pelo mundo.

A eleição de Donald Trump nesta quarta-feira, 9, à presidência dos EUA provocou um terremoto. Sem experiência política, o republicano prometeu “tornar a América grande novamente”, apostando no medo dos americanos brancos num mundo em mutação, destacando pontos como imigração, refugiados e livre comércio. Durante a campanha, insultou mulheres, muçulmanos, hispânicos e alienou os negros.

Presidente eleito nos EUA, Donald Trump (Foto: AFP PHOTO / DOMINICK REUTER)

Presidente eleito nos EUA, Donald Trump (Foto: AFP PHOTO / DOMINICK REUTER)

Nas Filipinas, o advogado de 71 anos Rodrigo Duterte, eleito em 9 de maio, depois de uma campanha populista e centrada na questão da segurança, assumiu em 30 de junho a presidência e tem se destacado por suas declarações polêmicas.

Ele chamou de “filho da p…” tanto o Papa quanto o presidente dos EUA, Barack Obama. Sua “guerra contra as drogas” já fez mais de 3,7 mil mortes em quatro meses. Ele se diz socialista e expressa abertamente seu ódio com relação aos EUA, aliado histórico com o qual anunciou o rompimento em outubro, uma “separação” em favor de uma aliança com a China.

Já os britânicos votaram em um referendo em 23 de junho em favor do “Brexit”, um resultado surpreendente. Depois de uma campanha violenta marcada pelo assassinato em junho da deputada trabalhista Jo Cox, o Conselho da Europa expressou em outubro a sua preocupação com o “aumento do discurso de ódio e da violência racista” no Reino Unido.

Um dos campeões do “Brexit”, o líder populista do partido anti-europeu e anti-imigração Ukip, Nigel Farage, saudou nesta quarta-feira o resultado da eleição presidencial americana. “Eu passo o bastão para Donald Trump”, disse ele.

Na Hungria, o primeiro-ministro Viktor Orbán, no poder desde 2010, impulsionou sua campanha com acentos xenófobos contra a imigração não-europeia. Na Polônia, o partido conservador e eurocético Direito e Justiça (PiS) retornou ao poder no final de 2015. Seu líder Jaroslaw Kaczynski advertiu contra os “parasitas” dos refugiados. Na Áustria, o Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema-direita, por pouco não conseguiu vencer a eleição presidencial em 22 de maio.

No território alemão, a Alternativa para a Alemanha (AFD, direita populista) vem acumulando sucessos eleitorais, incluindo a entrada no Parlamento local em Berlim. Capitalizando a preocupação dos alemães após a chegada de 1,1 milhão de refugiados em 2015, o partido está presente em 10 dos 16 Estados e tem cerca de 12% das intenções de voto. Ele poderia entrar no próximo ano no Parlamento federal, o que seria uma primeira vez para um partido populista de direita desde o pós-guerra na Alemanha.

Na França, a Frente Nacional (de extrema direita) também registrou vitórias eleitorais desde 2012 e sua presidente, Marine Le Pen, deve estar presente no segundo turno das próximas eleições presidenciais, de acordo com pesquisas. Ela se precipitou nesta quarta-feira em felicitar Trump, mesmo antes da confirmação do seu sucesso. A presidente da FN compara o fluxo de imigrantes a uma “invasão” e quer um referendo sobre a saída do país da UE. / AFP

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