Prédio de Trump em Nova York atrai eleitores

Prédio de Trump em Nova York atrai eleitores

Enquanto partidários do candidato republicano fazem compras em lojas, críticos protestam

Redação Internacional

08 de novembro de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
ENVIADA ESPECIAL / NOVA YORK
Lúcia Guimarães
CORRESPONDENTE / NOVA YORK
Endereço de Donald e Melania em Manhattan, a Trump Tower da Quinta Avenida se transformou ontem em uma praça de manifestações contra e a favor do candidato nova-iorquino. Munidos de cartazes e o poder de suas vozes, representantes dos dois lados dividiram a calçada em frente ao edifício, cercados por curiosos, jornalistas e policiais que vigiavam as portas de entrada da torre.

Apesar dos policiais postados na frente das portas giratórias, a entrada no imenso saguão da Trump Tower era livre. E tem de ser, por lei. O espaço, que abriga, entre outros, um restaurante Trump, uma joalheria Ivanka Trump e uma loja de souvenirs Trump é público. Nova York dá a construtores o direito de acrescentar mais andares aos arranha-céus em troca de manter uma área para o público circular. A Trump Tower tem 68 andares.

Eleitor crítico a Trump exibe desenho na porta do prédio do republicano (Cláudia Trevisan / Estadão)

Eleitor crítico a Trump exibe desenho na porta do prédio do republicano (Cláudia Trevisan / Estadão)

Na loja de souvenirs, Janet Fritz, uma professora aposentada de New Jersey, usava ontem um moletom com o nome Trump. Ela comprou um suéter, uma gravata para o filho, uma camiseta para a prima e um copo. Conta que dava aula de inglês como segunda língua para latinos, mas apoia as propostas do candidato.

“Espero que ele mantenha o que nos prometeu,” disse, numa referência a imigrantes sem documentos. “E não consigo imaginar nosso país governado por uma criminosa,” conclui, sem pronunciar o nome de Hillary Clinton, que não é alvo de qualquer ação criminal.

Com 80 anos de idade, Mariane Denoit carregava um cartaz no qual escreveu as razões pelas quais apoia o candidato – entre elas, o fato de ele falar inglês. Nascida na Alemanha, Donoit imigrou para os EUA nos anos 60. “Eu entrei aqui legalmente”, afirmou.

A proposta de Trump de restringir a entrada de imigrantes e deportar os que vivem no país de maneira irregular é a principal razão pela qual a alemã-americana marcará seu nome na cédula de votação. “Nós temos 2 milhões de sem-teto. Não precisamos de mais 5 milhões.”

Cidadão americano há dois anos, o haitiano Joseph Mathieu era um dos mais estridentes manifestantes a favor do republicano. “Trump é o único que pode impedir que a América afunde como o Titanic.” Mas Mathieu não conseguiu ser específico quando a reportagem pediu que apontasse propostas de Trump com as quais concorda. “Ele é um homem de negócios bem sucedido e ama esse país.”

Prédio de Trump também funciona como a sede da campanha (Cláudia Trevisan / Estadão)

Prédio de Trump também funciona como a sede da campanha (Cláudia Trevisan / Estadão)

No mezanino, um casal de Denver, Colorado, ambos eleitores de Trump, fizeram questão de visitar o prédio para tomar um café. Chris Donovan, um gestor financeiro, diz que Trump é um “homem do povo” e acha que só um empresário como ele pode “drenar o pântano de Washington da corrupção política”. Sua mulher, Sandra Martinez, é engenheira de software, votou em democratas até a década passada e, para ela, o mais importante que Trump pode fazer é proteger os EUA de imigrantes ilegais.

Antagonistas. Do lado de fora do prédio, Paul Rosen exibia um cartaz no qual Trump era retratado como um monte de fezes cercado de moscas e a palavra “dump!” (despeje). De quebra, Rosen vendia broches com a mesma imagem por US$ 3,00. “Eu fico aterrorizado com a ideia de Trump presidente”, afirmou. “Isso mudaria totalmente o país, já que permitiria a indicação de juízes conservadores para a Suprema Corte.” Rosen acredita que um governo do bilionário colocaria em risco o direito ao aborto, o casamento gay e o Obamacare.

O nova-iorquino Abel González participava pela primeira vez de uma manifestação eleitoral, carregando uma série de cartazes com slogans contrários a Trump. Grande parte deles fazia referência aos comentários depreciativos do candidato em relação às mulheres. “Esse senhor não tem capacidade de ser presidente do mais poderoso país do mundo.”

Locais. É a primeira vez, desde a disputa entre Thomas Dewey e Franklin Roosevelt, em 1944, que dois candidatos de Nova York disputam a presidência. Donald Trump cresceu no bairro de Queens e Hillary Clinton, natural de Chicago, Illinois, fixou residência no estado de Nova York para poder concorrer ao Senado em 2000.

Hillary foi acusada de arrivista quando usou a cidade para começar sua carreira política. Donald Trump é uma atração turística em Nova York há pelo menos três décadas. Mas entre a elite local, a democrata é celebrada em qualquer jantar, enquanto o republicano é vetado em listas de convidados.

A resistência ao magnata no círculo dos poderosos começou há vinte anos. Ele subiu no pódio, sem ser convidado, na inauguração do ambulatório da Association to Benefit Children, uma ONG para crianças com aids. Como entrou, ele saiu, sem dar explicação, ou abrir a carteira para doar algum dinheiro à causa. Em Nova York, respeito se compra com filantropia. E Trump detesta se separar de seu dinheiro.

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