Protesto em Nova York propõe ‘resistência’

Protesto em Nova York propõe ‘resistência’

O ato estava entre dezenas de eventos de oposição marcados em Nova York até domingo

Redação Internacional

20 Janeiro 2017 | 05h00

Lucia Guimarães
CORRESPONDENTE / NOVA YORK

A mobilização de manifestantes que começou uma semana antes da posse presidencial nas cidades americanas ganhou impulso ontem com um grande protesto diante do Trump Internacional Hotel, na frente do Central Park, em Manhattan.

People march towards Trump Tower during a protest organized by the New York Immigration Coalition against President-elect Donald Trump in the Manhattan borough of  New York, U.S., December 18, 2016. REUTERS/Darren Ornitz

Manifestantes protestam contra políticas de Trump em Nova York. Foto: Darren Ornitz/Reuters

Sob o guarda-chuva de organizações como Greenpeace e Moveon.org, a manifestação We Stand United Rally (Comício Estamos Unidos) reuniu o prefeito Bill de Blasio, o documentarista Michael Moore e atores ativistas como Mark Ruffalo e Alec Baldwin. Eles convocaram um “dia de indignação” que dê a partida para um período de ações de resistência aos planos do próximo governo em áreas como seguro saúde, imigração, direitos da mulher e direitos civis.

O ato estava entre dezenas de eventos de oposição marcados em Nova York até domingo. Todd Gitlin, sociólogo e diretor do programa de PHD em jornalismo da Universidade Columbia, liderou a Students For A Democratic Society, a principal organização estudantil dos EUA na década de 60.

Autor de um livro sobre as raízes e promessas do movimento Occupy Wall Street, Gitlin é categórico: “As lições negativas do Occupy agora são mais evidentes. Mobilização não é organização. O problema é o que vem depois dos protestos”, disse ao Estado, referindo-se ao movimento que teve seu epicentro em Nova York há cinco anos.

Gitlin não acha o presente comparável à era de ativismo que protagonizou, nos anos 60. “A eleição de John Kennedy significou um convite à juventude para se engajar no mundo. Até a aterradora Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, serviu de correção de rumos políticos. Hoje vivemos um momento mais nefasto.”

Jovens como Samuel Sinyangwe, formado em ciência política pela Universidade Stanford, estão preocupados. Ele foi um dos fundadores do Campanha Zero, em 2015, um movimento de reforma da justiça criminal inspirado nos protestos contra a violência policial contra negros. “Nos encontramos com Bernie Sanders e Hillary Clinton e conseguimos promover reformas de policiamento em cidades como Orlando, Sacramento e Baton Rouge,” disse ao Estado após o lançamento, esta semana, da plataforma aberta resistancemanual.org (Manual de Resistência), guia de engajamento em áreas de política econômica e social.

Um protesto que provocou alguma controvérsia foi o organizado pelo grupo J20ArtStrike que pediu uma sexta-feira sem arte em todo o país e foi assinado por mais de 100 artistas. Dezenas de galerias de Nova York fecharão hoje, entre elas, a prestigiada Cheim & Read. “Fechamos porque acreditamos que a eleição de Donald Trump é um grave perigo para o país, a humanidade e as artes”, afirmou John Cheim.

Na manhã de ontem, a comunidade artística e cultural acordou com a notícia de que o governo Trump pretende desmontar duas organizações federais, o National Endowment for the Arts e o National Endowment for the Humanities, além de privatizar a CPB, a rede nacional pública de televisão e rádio. Estas organizações correspondem a 0,28% do orçamento federal, mas há décadas vivem na mira dos republicanos pela independência de conteúdo.

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