Putin parabeniza Trump e espera mudança na relação Rússia-EUA

Putin parabeniza Trump e espera mudança na relação Rússia-EUA

Presidente russo mostra satisfação com vitória do candidato republicano e manifestou a 'esperança de um trabalho mútuo'

Redação Internacional

09 de novembro de 2016 | 07h43

Andrei Netto

CORRESPONDENTE / PARIS

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, cumprimentou no início da manhã desta quarta-feira, 9, o novo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, pela vitória nas eleições americanas. Em um telegrama enviado ao líder republicano, Putin afirmou que espera pela melhoria das relações bilaterais, abaladas durante o governo de Barack Obama.

Vladimir Putin foi acusado de ter hackeado informações digitais do Partido Democrata e de sua candidata, Hillary Clinton (Foto: Reuters)

Vladimir Putin foi acusado de ter hackeado informações digitais do Partido Democrata e de sua candidata, Hillary Clinton (Foto: Reuters)

Putin manifestou a “esperança de um trabalho mútuo para tirar as relações entre a Rússia e os Estados Unidos de sua situação crítica”, e se disse certo de que “um diálogo construtivo” serão a tônica entre Washington e Moscou.

O presidente russo foi acusado pelo campo democrata e mesmo pelo governo de Barack Obama ao longo da campanha de ter tentado influenciar os rumos da eleição ao hackear informações digitais do Partido Democrata e de sua candidata, Hillary Clinton.

Em diferentes oportunidades, Putin e Trump manifestaram apresso mútuo, o que pode significar uma mudança radical na política de repressão ao grupo terrorista Estado Islâmico e nas guerras na Síria e na Ucrânia.

Em tom muito mais cético, a União Europeia reconheceu o resultado das eleições presidenciais americanas que resultaram na eleição de Donald Trump e anunciou que Bruxelas manterá as relações políticas com Washington.

“Os laços entre a UE e os Estados Unidos são mais profundos do que qualquer mudança política”, afirmou a alta representante para Relações Exteriores, Federica Mogherini.

No entanto a declaração, feita via Twitter, teve um formato inusual: ela não mencionou o nome de Donald Trump e não o parabenizou pela vitória. “Nós vamos continuar a trabalhar juntos, redescobrindo a força da Europa”, completou.

Nenhum líder político de primeiro plano, como o presidente da França, François Hollande, ou a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ainda se manifestou.

A postura da diplomacia da União Europeia reflete a preferência clara dos europeus pela candidata democrata Hillary Clinton, que perdeu as eleições para Donald Trump.

De acordo com pesquisa do Conselho Europeu de Relações Internacionais (ECFR) sobre a opinião de autoridades governamentais dos 28 países-membros da união, apenas o governo da Hungria, nas mãos de Viktor Orban, era favorável à candidatura de Trump.

O extremista de direita foi o primeiro dos líderes europeus a se manifestar sobre o resultado. “Felicitações”, disse ele, em sua página de Facebook. “Que boa notícia. A democracia continua viva.”

No mesmo sentido, a líder do partido de extrema direita Frente Nacional, Marine Le Pen, mostrou satisfação pela vitória de Trump, a quem sempre elogiou. “Parabéns ao novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao povo americano, livre”, disse a populista.

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