Rebeldes do partido rejeitarão Trump na eleição

Rebeldes do partido rejeitarão Trump na eleição

Redação Internacional

22 de julho de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
Enviada Especial / Cleveland, EUA

Não é apenas a cúpula republicana que continua dividida em relação à candidatura de Donald Trump à presidência dos EUA. Alguns dos 2.473 delegados que participaram da convenção da legenda em Cleveland mantêm a resistência ao insurgente que tomou o partido de assalto e não pretendem escolher seu nome na cédula eleitoral de novembro.

O grupo Never Trump (Nunca Trump) teve menos sucesso do que o esperado em sua tentativa de expressar o descontentamento com a escolha do bilionário de Nova York nos quatro dias de encontro do partido, encerrados ontem. Derrotados no primeiro dia em sua proposta de mudar as regras da convenção para permitir que os delegados votassem de acordo com sua consciência, os opositores de Trump perderam proeminência no plenário da arena onde a convenção foi realizada.

Ainda assim, continuaram a manifestar seu descontentamento. Na quarta-feira, dia seguinte à consagração do bilionário, Norm Fink usava uma camiseta com os dizeres “Never Trump”. “Eu vim sabendo que Trump seria nomeado, mas eu esperava uma resistência maior”, afirmou o delegado de Oregon.

Promotor de Justiça aposentado, Fink acredita que o partido ao qual é filiado há 30 anos perderá as eleições de novembro para a democrata Hillary Clinton. “A luta real é pelo futuro do Partido Republicano. Eu espero que o fato de pessoas como eu terem marcado suas posições aqui e dito que esse cara é aceitável ajude nesse processo.” Fink discorda das posições de Trump em política externa e disse que “só um idiota” pode levar a sério a proposta de obrigar o México a pagar por um muro na fronteira com os EUA.

Delegado do Texas, John Greytok votou em Ted Cruz nas primárias, mas era contra a mudança das regras da convenção defendidas pelo grupo Never Trump. “Isso não seria justo.” Ainda assim, ele não pretende votar no bilionário em novembro e acredita que sua eventual eleição será desastrosa para os EUA. “O desrespeito de Donald Trump pelo estado de direito é uma ameaça ao tecido da América”, afirmou Grytok, que disse não saber o que fará em novembro.

Ellie Espling, deputada estadual do Maine, votará em Trump, mas ainda não está entusiasmada com o candidato. “Uma coisa é votar, outra coisa é trabalhar para ele ser eleito”, disse a parlamentar, que optou por Ted Cruz nas primárias. O principal fator que influenciará sua decisão será o grau de participação na campanha do candidato à vice-presidência, Mike Pence, representante da ala mais conservadora do partido.

Obviamente, a maioria dos delegados estava determinada a dar a Trump a vitória em novembro. “Eu estive na convenção de 2012 e há muito mais entusiasmo aqui”, observou Dave Majernik, representante da Pensilvânia. “Agora nós temos um outro tipo de candidato, que não é um político profissional, mas um empresário bem-sucedido que faz as coisas acontecerem”, disse.

Em sua terceira convenção republicana, Tamara Scott afirmou que Trump trouxe ao partido novas pessoas e mobilizou outras que não participavam do processo decisório do partido. “Ele tem propostas novas, que apontam para um novo dia na América.”

Mas um terço dos delegados votou em outros candidatos nas primárias, no que foi a mais ampla dissidência desde 1976, segundo o New York Times. Na quarta-feira, o segundo colocado na disputa, o senador Ted Cruz, rejeitou declarar apoio a Trump em um discurso de 21 minutos aos delegados que se reúnem em Cleveland.

Dono

 

do segundo lugar, John Kasich não participou do evento, apesar de ele ter ocorrido no Estado que governa, Ohio. O quarto colocado nas primárias, o senador Marco Rubio, não pisou na arena de Cleveland e preferiu declarar um tímido apoio a Trump em um vídeo de dois minutos centrado na necessidade de derrotar a democrata Hillary Clinton.

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