Reconhecimento de ‘uma China’ não é negociável,  diz Pequim

Reconhecimento de ‘uma China’ não é negociável, diz Pequim

Declaração é resposta a Trump, que disse no sábado estar disposto a questionar o princípio adotado por Pequim para reforçar as relações entre Washington e Taip

Redação Internacional

15 Janeiro 2017 | 21h47

PEQUIM – O reconhecimento de uma China única “não é negociável”, afirmou neste domingo o governo chinês, em resposta ao presidente eleito dos EUA, Donald Trump, que disse no sábado estar disposto a questionar o princípio adotado por Pequim para reforçar as relações entre Washington e Taipé.

“O princípio de ‘uma China’ é a base política das relações sino-americanas e não está sujeito à negociação”, declarou Lu Kang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.

“No mundo existe apenas uma China, Taiwan é uma região inalienável do território chinês, e o governo da República Popular é o único governo legítimo da China”, insistiu Lu em um breve comunicado.

Taiwan President Tsai Ing-wen leaves a luncheon during a stop-over after her visit to Latin America in Burlingame, California, U.S., January 14, 2017. REUTERS/Stephen Lam

Presidente de Taiwan,  Tsai Ing-wen, pivô de recente crise entre EUA e China.  (Foto: REUTERS/Stephen Lam)

Pedimos (a Trump) que tome consciência da extrema sensibilidade da questão de Taiwan, e respeite os compromissos assumidos pelos governos dos EUA anteriores (…) para evitar comprometer o desenvolvimento saudável e estável das relações bilaterais”, acrescentou.

Em uma entrevista ao Wall Street Journal, Trump indicou esta semana que “tudo é negociável, incluindo (a política) da China única”. No dia 2 de dezembro, o magnata recebeu um telefonema da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. A primeira conversa desse nível desde que Washington rompeu relações diplomáticas com Taipé, em 1979, foi recebida com críticas por Pequim.

Pelo Twitter, Trump ironizou a reação ao telefonema. “É interessante como os EUA vendem a Taiwan bilhões de dólares em equipamentos militares, mas eu não deveria aceitar um telefonema de ‘parabéns’”.
O magnata já ameaçou rever as relações comerciais com a China e impor uma tarifa de 45% na importação de produtos chineses. / AFP