Republicanos temem derrota no Congresso com ‘efeito Trump’

Redação Internacional

20 Agosto 2016 | 05h00

Jonathan Martin
THE NEW YORK TIMES

A candidatura em dificuldades de Donald Trump tornou-se agora uma ameaça direta ao controle republicano do Congresso, aumentando significativamente a possibilidade de que os democratas venham a dominar o Senado e abalar substancialmente a maioria republicana na Câmara no próximo ano.

A enxurrada de declarações incendiárias de Trump, nas semanas que se seguiram à convenção que o indicou candidato no mês passado, está derrubando sua popularidade em quase todos os Estados em que a disputa pelo Senado é acirrada, aumentando o medo dos republicanos de que seus eleitores, desmoralizados, não compareçam às urnas; os independentes abandonem a chapa republicana; e os democratas, energizados, decidam votar em massa.

Enquanto republicanos preveem que seus candidatos menos conhecidos vão melhorar a votação de Trump, funcionários nacionais e locais, e estrategistas do partido, temem que o magnata esteja tão em perigo de ser fragorosamente derrotado que mesmo os melhores candidatos republicanos não conseguiriam reverter o retrocesso no topo da chapa republicana.

“O pessoal aqui está ficando muito nervoso por seus candidatos porque Trump está numa queda fatal e ninguém sabe onde está o fundo”, disse o senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul.

A decisão de Trump de tentar esquentar a campanha contratando o chefe de um website conservador, conhecido pelos textos inflamados sobre raça e identidade étnica, só fez aumentar as preocupações republicanas com o impacto do candidato nos eleitores moderados. Se Trump dedicar o restante de sua campanha a uma plataforma de nacionalismo exacerbado, avaliam estrategistas, pode afastar mais os republicanos de centro no Senado de que necessita.

O que mais preocupa os republicanos é a erosão de Trump em três Estados que sozinhos poderão decidir o controle do Senado: Pensilvânia, New Hampshire e Carolina do Norte. Hillary Clinton abriu uma clara vantagem em cada um deles, segundo pesquisas públicas. Levantamentos de grupos pró-republicanos refletem essa tendência, dizem funcionários que analisam as campanhas. Se Trump não puder tirar a diferença, ou pelo menos limitar o déficit a 5 pontos porcentuais nesses Estados, estrategistas preveem que os senadores Patrick J. Toomey, da Pensilvânia, Kelly Ayotte, de New Hampshire, e Richard M. Burr, da Carolina do Norte, terão suas cadeiras ameaçadas.

Muitos republicanos importantes já concluíram que Trump certamente vai perder e o partido deveria voltar as atenções para proteger seus senadores mais ameaçados e limitar os ganhos democratas na Câmara. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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