Reunião republicana reflete dificuldade de Trump para obter voto de minorias

Reunião republicana reflete dificuldade de Trump para obter voto de minorias

Há apenas 18 negros entre os 2.472 delegados na convenção que consagrou o bilionário, uma tendência de ‘embranquecimento’ que se verifica no partido desde 2004; propostas de adotar medidas contra imigrantes também complicam relações com latinos

Redação Internacional

21 de julho de 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan

ENVIADA ESPECIAL/CLEVELAND, EUA

O Partido Republicano que saiu da derrota de 2012 determinado a conquistar seguidores latinos, negros e mulheres chegou à sua convenção em Cleveland com um dos menos diversos grupos de delegados de sua história recente.

Vistos de cima no piso da arena Quincken Loans, os 2.472 representantes da legenda parecem um tapete de pessoas brancas, impressão confirmada pelos números: apenas 18 deles são afro-americanos. Sob o impacto de um candidato que pôs a deportação de imigrantes ilegais no centro de sua plataforma, os latinos também representam uma parcela menor de delegados do que em convenções recentes.

Entre os 70 oradores previstos para os quatro dias do evento, apenas 2 têm ascendência hispânica: os senadores Ted Cruz e Marco Rubio, ambos derrotados por Donald Trump nas primárias – e a mensagem de Rubio será transmitida por vídeo.

A participação de minorias nas convenções republicanas está em queda desde 2004, mas se acentuou com a emergência do bilionário. Naquele ano, quando o partido nomeou George W. Bush candidato, os negros representavam 7% dos delegados da legenda. O número despencou em 2008, quando John McCain foi escolhido adversário do democrata Barack Obama, e voltou a caiu em 2012, com Mitt Romney. Inferior a 1%, o porcentual da atual convenção é o menor desde 1964, quando os negros migraram do partido de Abraham Lincoln para o lado dos democratas em razão da aprovação do Ato dos Direitos Civis que pôs fim à segregação racial.

A erosão da popularidade dos republicanos entre as minorias se reflete nas pesquisas. A da CNN/ORC divulgado na semana passada mostrou que a democrata Hillary Clinton tem 67% das intenções de voto dos eleitores não brancos. Trump obtém 20%. Mas entre os brancos, ele registra 49%, 10 pontos porcentuais a mais do que a democrata. Hillary também lidera entre as mulheres, com 52% a 36%.

Caça. Com a ausência de alguns dos principais representantes da ala tradicional do partido, a convenção que consagrou Trump foi menos tumultuada do que o esperado e revelou que o grande fator de unidade do partido será o combate a Hillary. A candidata foi o alvo de ataques de uma sucessão de oradores, que a acusaram de mentir à população depois do atentado ao consulado dos EUA em Benghazi, na Líbia, e de colocar em risco a segurança do país por usar um servidor privado de internet durante sua gestão no Departamento de Estado.

A mais virulenta arremetida contra a candidata partiu do governador de New Jersey, Chris Christie, que usou sua experiência como promotor de Justiça para apresentar uma série de acusações contra Hillary. Ao fim de cada uma delas, ele perguntava à plateia “culpada ou inocente?”. A resposta em coro era “culpada!”.

A maioria das acusações apresentadas por Christie estava relacionada à atuação de Hillary como secretária de Estado da primeira gestão de Obama. Entre outras coisas, o governador disse que a democrata tem responsabilidade indireta pela morte de 400 mil pessoas na guerra civil na qual a Síria está mergulhada desde 2011. Antes do início do conflito, a candidata tinha dito que Bashar Assad era um reformista. “Um terrível julgamento do caráter de um ditador e carniceiro do Oriente Médio”, afirmou. “Culpada ou inocente?” A condenação foi imediata: “culpada!”.

Ataques a Hillary também ocorrem fora da arena onde a convenção é realizada. A poucos metros, a artista Patty McPhillips vendia camisetas com os dizeres “Delete Hillary”, uma referência aos e-mails apagados da conta privada da ex-secretária de Estado por supostamente não terem relação com seu trabalho. “Não gosto dela. Ela mente e é extremamente política.”

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