Saiba o que acontece se Trump e Hillary empatarem nas eleições

Saiba o que acontece se Trump e Hillary empatarem nas eleições

Embora uma situação de empate jamais tenha ocorrido, não é um cenário improvável

Redação Internacional

08 de novembro de 2016 | 10h33

WASHINGTON – Os americanos elegem nesta terça-feira, 8, os 538 delegados do Colégio Eleitoral, órgão encarregado de votar para presidente. Em razão do acirramento da campanha entre a democrata Hillary Clinton e o republicano Donald Trump, surge a dúvida sobre o que aconteceria se ambos empatassem com o apoio de 269 delegados cada um.

Embora uma situação semelhante jamais tenha ocorrido, não é nada improvável. Deixando de lado os Estados teoricamente garantidos pelos dois candidatos, se Hillary ganhar na Pensilvânia e no Colorado, e Trump levar os demais Estados decisivos – como Flórida, Ohio, New Hampshire, Nevada, Carolina do Norte e Iowa -, o resultado será de empate em 269.

Tanto Hillary como Trump se opõem ao acordo, que estabeleceria uma zona de livre comércio entre 12 países, excluindo a China (Foto: Reuters)

Hillary Clinton e Donald Trump podem terminar as eleições empatados se cada um conseguir 269 delegados (Foto: Reuters)

Caso Trump vença em Pensilvânia e Colorado e a ex-primeira-dama ficar com a Flórida, o desfecho seria o mesmo, e nenhum deles conseguiria o mágico número de 270 que determina a maioria.

A 12ª Emenda da Constituição dos EUA, aprovada em 1804, estabelece que, se nenhum dos candidatos alcançar a maioria absoluta de delegados, a eleição do presidente fica a cargo da Câmara dos Representantes, e a do vice-presidente, do Senado.

Os republicanos contam atualmente com uma ampla maioria na Câmara dos Representantes (247 a 188), razão pela qual a eleição de Trump, mesmo com alguma dissidência interna, pareceria um fato.

No Senado, a maioria é republicana (54 a 44, mais 2 independentes que votam alinhados com os democratas) e pode assegurar a vice-presidência ao governador de Indiana e companheiro de chapa de Trump, Mike Pence.

EleicoesEUA

Os 538 delegados do Colégio Eleitoral são divididos por Estados conforme sua população, e o candidato mais votado em cada um deles fica com todos os seus delegados (sistema conhecido como “winner takes all” – “o vencedor leva tudo”), com exceção de Maine e Nebraska, que têm distritos, motivo pelo qual o surgimento de outros candidatos não é habitual.

Apesar disso, se um terceiro nome impedisse que Hillary e Trump chegassem à maioria absoluta, o mecanismo que seria ativado é o mesmo utilizado no caso de empate: a Câmara dos Representantes e o Senado teriam o poder (e sem a obrigação) de escolher o mais votado dos três.

A única vez em que o Congresso elegeu o presidente em virtude da 12ª Emenda foi em 1824, depois que uma disputa entre quatro concorrentes deixou o mais votado, Andrew Jackson, longe da maioria absoluta. A Câmara dos Representantes optou então por John Quincy Adams, que havia ficado em segundo lugar, e em 1828 perdeu a reeleição justamente contra Jackson.

Desertores. Os EUA têm uma extensa lista de delegados desertores ao longo de sua história, mas nenhum deles custou a Casa Branca ao vencedor das eleições. No entanto, em um cenário de equilíbrio, como o que as pesquisas preveem para as eleições desta terça-feira, o surgimento de desertores poderia ser decisivo.

Em uma hipotética vitória de Hillary por 270 a 268 sobre Trump, um desertor democrata forçaria a ativação da 12ª Emenda, o que deixaria a eleição do presidente nas mãos do Congresso. / EFE

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