Sanders tenta convencer seus eleitores a votarem em Hillary na primeira noite da convenção democrata

Evento começou com vaias e palavras de ordem contra a ex-secretária de Estado e terminou em um clima de menor divisão entre os dois lados do partido

Redação Internacional

26 de julho de 2016 | 13h28

Cláudia Trevisan
ENVIADA ESPECIAL / FILADÉLFIA, ESTADOS UNIDOS

Derrotado por Hillary Clinton nas primárias do Partido Democrata, o senador Bernie Sanders se transformou na segunda-feira em um dos mais poderosos cabos-eleitorais da ex-secretária de Estado, com um discurso no qual tentou convenceu seus milhões de seguidores a votarem na candidata na disputa contra Donald Trump em novembro.

Sanders foi ovacionado quando subiu ao palco da convenção às 22h50 locais (23h50 em Brasília), ao fim de um dia marcado por vaias e gritos de seus eleitores contra a ex-secretária de Estado. “Essa eleição tem de ser sobre unir as pessoas, não dividi-las”, afirmou. “Enquanto Donald Trump está ocupado insultando um grupo depois do outro, Hillary Clinton entende que nossa diversidade é uma de nossas grandes fortalezas”, declarou Sanders a seguidores que protagonizaram um dia de fúria contra a candidata no primeiro dia da convenção democrata, na Filadélfia.

A segunda-feira que começou com vaias e palavras de ordem contra a ex-secretária de Estado terminou em um clima de menor divisão entre os dois lados que se enfrentaram durante as primárias do partido. A mudança de humor veio com o histórico discurso da primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, que atacou os valores representados por Donald Trump sem mencionar o nome do bilionário.

Michelle usou os desafios de educar duas filhas na Casa Branca sob os holofotes da opinião pública para criticar o candidato do Partido Republicano. A primeira-dama observou que uma das grandes preocupações dela e do presidente americano Barack Obama é explicar às filhas a artilharia dirigida ao presidente por seus opositores.

“Nós pedimos a elas que ignorem aqueles que questionam a cidadania e a fé de seu pai”, disse, em uma referência indireta a Trump, que liderou um movimento fracassado para tentar provar que Obama não nasceu nos Estados Unidos. “Nós explicamos que quando alguém é cruel ou age como um brutamontes você não se dobra a seu nível. Não, nosso lema é quando eles descem muito baixo, nós nos elevamos”, ressaltou, em outra estocada no bilionário e em sua retórica contra imigrantes, muçulmanos e outras minorias.

Michelle apresentou a eleição não apenas como uma opção entre candidatos e partidos, mas como a definição da pessoa que será um modelo para as crianças do país pelos próximos quatro a oito anos, em razão do impacto das palavras e ações do presidente americanos.

A mulher de Obama apresentou a eleição como a escolha de alguém que terá impacto sobre os filhos dos eleitores. “Quando nós formos às urnas, é isso que nós estaremos decidindo – não democrata ou republicano, direita ou esquerda. Não, esta eleição e toda a eleição, é sobre quem terá o poder de moldar nossas crianças pelos próximos quatro ou oito anos”, afirmou. Para ela, apenas Hillary pode desempenhar essa função na atual disputa.

O horário nobre dos discursos na primeira noite da convenção também foi ocupado por líderes alinhados com a esquerda do partido e respeitados pelos seguidores de Sanders: os senadores Elizabeth Warren, Al Franken e Jeff Merkley. Todos declararam apoio a Hillary e ressaltaram a importância de derrotar Trump em novembro.

A expectativa do comando do partido é que os discursos tenham funcionado como uma catarse para os simpatizantes do senador e que os próximos dias da convenção mostrem uma imagem mais unida da legenda. Sanders foi além dos ataques a Trump e apresentou uma série de razões para seus eleitores votarem por Hillary Clinton. Entre elas, o senador se referiu ao acordo alcançado entre ambos para incluir na plataforma do partido algumas de suas principais propostas, entre as quais o aumento do salário mínimo de US$ 7,25 para US$ 15,00, universidades públicas gratuitas para famílias com renda anual inferior a US$ 125 mil e rejeição ao acordo de livre comércio Tratado da Parceria Transpacífico (TPP).

“Nosso trabalho agora é fazer com que a plataforma seja implementada por um Senado e uma Câmara dos Deputados democratas e Hillary Clinton na presidência – e eu farei tudo o que puder para que isso aconteça.”

Veja abaixo: Sanders diz que Hillary tem de ser presidente

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