Sucessor de Obama herdará economia em transição

Sucessor de Obama herdará economia em transição

Vento favorável entra em choque com dívida pública que pode paralisar governo

Redação Internacional

09 de novembro de 2016 | 05h00

WASHINGTON – Barack Obama vai passar à história como o presidente que vendeu mais títulos do Tesouro, e a juros mais baixos, que qualquer outro líder dos EUA. Também deixa uma dívida que ameaça paralisar seu sucessor.

O governo Obama beneficiou-se de vantagens sem precedentes que o ajudaram a enfrentar a mais longa recessão desde os anos 30.

O Federal Reserve (FED, o banco central americano) manteve os juros em baixas históricas, em parte por ter se tornado o maior detentor isolado de títulos do Tesouro. Os EUA também podem contar com a insaciável demanda de investidores internacionais, puxados pela China e suas imensas reservas. Investidores mundiais acrescentaram US$ 3 trilhões à compra de títulos do Tesouro, um volume recorde.

Traders work on the floor of the New York Stock Exchange (NYSE) in New York City, U.S., November 8, 2016. REUTERS/Brendan McDermid

Operadores da Bolsa de Nova York  trabalham em meio à incerteza

Agora, esses ventos de popa estão virando. O Fed está elevando as metas, num momento em que o custo dos juros em títulos nacionais está no nível mais alto em cinco anos. A dívida negociável do governo mais que dobrou sob a responsabilidade de Obama, para um recorde de quase US$ 14 trilhões. E o déficit volta a crescer após diminuir por quatro anos consecutivos, justamente quando a posse de títulos do Tesouro no exterior vem encolhendo ao ritmo mais acelerado desde 2013.

“Estamos realmente numa situação difícil”, disse Edward Yardeni, presidente da Yardeni Research Inc., de Nova York, que acompanha o mercado de ações desde os anos 70. “Por todos esses anos temos empurrado as decisões, mas de repente chegamos a um beco sem saída.”

Futuro próximo. A deteriorada situação do maior mercado mundial de títulos ameaça atrapalhar os planos do vencedor da eleição, seja Hillary Clinton ou Donald Trump. Os dois prometeram medidas para acelerar o crescimento e criar empregos. A perspectiva de três décadas de um mercado de títulos aquecido estarem se aproximando de uma virada tem implicações em tudo que os candidatos prometeram mexer, de gastos em infraestrutura a defesa e corte de juros.

De certo modo, Obama teve sorte. O FED comprou US$ 1,7 trilhão em títulos do Tesouro de 2009 a 2014, absorvendo o equivalente a um quarto da dívida. Ao mesmo tempo que essas compras estratégicas ajudavam o mercado de ações, a era dos juros extraordinariamente baixos reduzia o lucro de investidores em títulos de rendimento fixo. Os títulos do Tesouro renderam em média cerca de 3% ao ano desde 2009, nível mais baixo desde o governo Reagan, segundo o Bank of America.

A referência para rendimentos de títulos de 10 anos caiu para cerca de 2,5% durante os mandatos de Obama, enquanto sob seu antecessor, George W. Bush, esse retorno era em média de 4,4%. Os rendimentos caíram mesmo depois de a economia se recuperar da crise financeira e o emprego crescer por seis anos seguidos.

A expansão econômica dos Estados Unidos, segundo a Bloomberg, não conseguiu impedir a carga da dívida por consumir uma fatia cada vez maior dos recursos financeiros da nação. Isso promete ser um complicador para a tomada de decisões do próximo presidente.

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