Trump admite espionagem, mas nega influência em resultado eleitoral

Presidente eleito dos EUA se encontrou com chefes da inteligência americana e afirmou que designará equipe para impedir futuros ataques cibernéticos

Redação Internacional

06 Janeiro 2017 | 19h11

WASHINGTON – O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu desta sexta-feira, 6, da reunião com as chefes das agências de inteligência do país declarando que o encontro foi “construtivo”, mas sem dar sinais de que voltaria atrás no discurso de que CIA, FBI e NSA (Agência de Segurança Nacional) estão erradas na conclusão de que houve interferência russa nas eleições americanas.

Minutos após o término da reunião, Trump admitiu que computadores dos EUA, entre eles os do Comitê Nacional Democrata, foram hackeados, e provavelmente pela Rússia, mas “isso não teve absolutamente nenhum efeito no resultado da eleição”. Nas últimas semanas da campanha eleitoral, a candidata Hillary Clinton e os democratas afirmavam que a Rússia estava por trás da divulgação de documentos que poderiam prejudicar sua candidatura.

Da forma como a declaração do republicano foi emitida, a impressão passada era a de que essa havia sido a conclusão das autoridades de inteligência, incluindo o diretor do Departamento de Inteligência Nacional, James Clapper, e o diretor da CIA, John Brennan, que estavam presentes no encontro – o primeiro pessoalmente após as constantes críticas do magnata aos serviços de inteligência do país.
Na quinta-feira, Clapper testemunhou no Senado e declarou que não havia como determinar o tamanho do impacto da espionagem nas eleições.

Combate. “China, Rússia e outros países tentam constantemente quebrar a segurança das estruturas cibernéticas de nossas instituições governamentais, empresas e organizações, incluindo o Comitê Nacional Democrata”, admitiu Trump, propondo uma medida concreta para combater a medida.

O magnata afirmou que designará uma equipe para elaborar um plano em 90 dias a partir de sua posse – que ocorre dia 20 –para acabar com o hackeamento estrangeiro e proteger as redes americanas de ataques cibernéticos. Trump não deu detalhes da medida. “Métodos, ferramentas e táticas que usamos para manter a América segura não devem ser uma discussão pública”, justificou.

Também participaram da reunião desta sexta-feira, convocada por Trump, o diretor do FBI, James Comey, e o chefe da NSA, Mike Rogers.

Em uma entrevista ao jornal New York Times antes do encontro, Trump havia classificado a insistência em ligar a Rússia à espionagem de computadores durante a eleição de uma “caça às bruxas política”.

Em dezembro, uma reportagem do Washington Post revelou que a Rússia era a origem dos ataques cibernéticos, como atuou para ajudar na vitória de Trump. / NYT e WASHINGTON POST

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