Trump ataca a imprensa e divulga slogan para buscar reeleição em 2020

Trump ataca a imprensa e divulga slogan para buscar reeleição em 2020

Presidente eleito dos EUA manda advogado registrar slogan para corrida eleitoral que ocorrerá dentro de 4 anos e afirma recorrer às redes sociais para driblar ‘imprensa desonesta’

Redação Internacional

19 Janeiro 2017 | 05h00

WASHINGTON – Prestes a assumir a presidência dos EUA, Donald Trump já tem planos para 2020. Em entrevista ao Washington Post, ele confirmou o projeto de reeleição e revelou que já tem slogan: “Keep America Great”. O lema, algo como “mantenha a América grande”, é uma continuidade do atual, “Make America Great Again”, ou “Faça a América grande de novo”. O republicano governará em meio a uma queda de braço com a imprensa, que chamou ontem de “desonesta”.

Trump explicou à reportagem do Post como chegou ao mote de campanha, decidido ainda em 2012, logo após Mitt Romney ser derrotado por Barack Obama. Durante a entrevista, ele chamou um advogado e mandou registrar formalmente o slogan que acabara de pensar para 2020. “Registre isso: ‘Mantenha a América Grande’, com um ponto de exclamação. (Registre) com e sem a exclamação. Entendeu?”, disse Trump.

WASHINGTON 18-01-2017 INTERNACIONLL TRUMP Writing my inaugural address at the Winter White House, Mar-a-Lago, three weeks ago. Looking forward to Friday FOTO TWITTER/DONALD TRUMP

Trump trabalha em seu discurso de posse. (FOTO TWITTER/DONALD TRUMP)

O primeiro slogan de Trump não era exatamente original. Ronald Reagan e George H. Bush usaram “Let’s make America great again” na campanha de 1980. O magnata disse que só soube disso há um ano. “Eles não registraram (o slogan)”, justificou o empresário.

O republicano, que tomará posse nesta sexta-feira, venceu as eleições prometendo reforçar as fronteiras americanas, manter o país seguro contra o terrorismo, produzir mais empregos, desmantelar o chamado Obamacare – substituindo-o por “algo melhor” – promover a excelência em engenharia e ciência e investir em infraestrutura. “Espere até ver o que acontecerá, começando na segunda”, disse.

O trabalho será acompanhado com atenção pela imprensa, que ele voltou a atacar. Assíduo do Twitter mesmo antes de ser o escolhido do Partido Republicano para disputar as eleições, o presidente eleito já fez vários anúncios importantes e se envolveu em polêmicas recorrendo aos posts de 140 caracteres.

“Não gosto de tuitar. Há outras coisas que eu poderia estar fazendo. Mas eu vejo uma mídia muito desonesta, uma imprensa muito desonesta. E (tuitar) é a única forma que eu tenho para contra-atacar”, disse ele à Fox News, reiterando que pretende continuar usando o Twitter após a posse.

Trump tem uma relação difícil com alguns dos maiores veículos de imprensa dos EUA, e chegou a banir a cobertura de alguns deles durante a campanha presidencial, além de criticar repórteres publicamente.

A equipe de Trump vinha discutindo retirar as entrevistas coletivas da pequena sala de imprensa na Ala Oeste e transferi-las para um outro edifício do complexo da Casa Branca, disse no domingo o futuro chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, à rede de TV ABC.

“A imprensa ficou louca, então eu disse: ‘Não vamos nos mudar.’ Mas algumas pessoas da imprensa não serão autorizadas a entrar”, disse o presidente eleito ao programa Fox & Friends.

“Temos muitas pessoas que querem entrar, então, teremos de escolher aquelas que entrarão na sala – tenho certeza de que outras ficarão animadas com isso”, disse. “Eles vão implorar por uma sala muito maior em breve, você verá”.

A atual sala de imprensa tem 49 assentos, que são designados pela Associação de Correspondentes da Casa Branca. Mudar a sala de imprensa marcaria uma possível alteração no acesso de repórteres a autoridades da Casa Branca, já que o local fica a apenas alguns passos do Salão Oval. / W. POST e REUTERS