Trump defende criador do WikiLeaks e ataca área de espionagem dos EUA

Trump defende criador do WikiLeaks e ataca área de espionagem dos EUA

CNN lembrou que, em 2010, em entrevista à emissora, republicano tinha uma outra opinião sobre Assange e o considerava 'vergonhoso'

Redação Internacional

04 Janeiro 2017 | 18h37

WASHINGTON  – O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, voltou nesta quarta-feira, 4, a questionar a credibilidade da inteligência americana no caso dos ataques cibernéticos russos durante as eleições presidenciais e defender o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, acusado de ajudar os russos. Sua equipe anunciou que a reunião entre ele e a cúpula da inteligência para falar sobre o tema ocorrerá amanhã.

FILE - In this Friday Feb. 5, 2016 file photo, Wikileaks founder Julian Assange speaks from the balcony of the Ecuadorean Embassy in London. Assange will be interviewed by Fox News Channel's Sean Hannity on

Assange na Embaixada do Equador. Foto: Kirsty Wigglesworth/AP

Em mensagens no Twitter, Trump lembrou que Assange negou ter recebido dos russos os e-mails da campanha democrata, vazados pelo WikiLeaks. “Julian Assange disse que ‘um menino de 14 anos poderia ter hackeado os e-mails de (John) Podesta’”, tuitou Trump, em referência ao chefe de campanha da candidata democrata Hillary Clinton. “Além disso, os russos não deram a ele a informação.”

O Comitê Nacional Democrata (DNC) também foi invadido por hackers que a inteligência americana afirma estar relacionados à Rússia. “Por que o DNC foi tão descuidado?”, perguntou Trump. “Alguém hackeou o DNC, mas por que não tinham defesas contra os hackers, como o RNC?”, afirmou, em referência ao Comitê Nacional Republicano.

No mês passado, o New York Times revelou que o Partido Republicano também sofreu ação de hackers, mas seus e-mails não foram divulgados pelo WikiLeaks.

A comunidade de inteligência americana chegou à conclusão de que os ataques e a divulgação dos e-mails de Podesta e de líderes democratas foram projetados para ajudar Trump a vencer as eleições. A Rússia rejeitou diversas vezes as alegações e Trump sempre defendeu a posição russa.

A equipe de transição de Trump tem afirmado que o republicano solicitou uma reunião com a inteligência, em Washington, na semana passada. Como resposta, as agências pediram um prazo para a elaboração de um relatório oficial. A reunião, segundo o porta-voz de Trump Sean Spicer, ocorrerá amanhã.

Ainda pelo Twitter, Trump afirmou que esse encontro tinha sido “atrasado” para amanhã. “Talvez fosse necessário mais tempo para construir o caso. Muito estranho!”, ironizou Trump.

Relembre:

O republicano tem questionado a conclusão dos americanos do envolvimento de autoridades russas nos ciberataques, que motivaram sanções impostas pelo presidente Barack Obama a Moscou.

Em uma entrevista divulgada na terça-feira pela TV Fox, Assange insistiu que nenhum grupo relacionado ao governo da Rússia era a fonte do material.

Assange permanece refugiado na Embaixada do Equador em Londres. Ele teme voltar para a Suécia, onde vivia, e ser deportado para os EUA, onde é criticado pela publicação, no WikiLeaks, em 2010, de 500 mil documentos secretos sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, o que poderia levá-lo a enfrentar prisão perpétua.

A TV CNN lembrou que, em 2010, em entrevista à emissora, Trump tinha uma outra opinião sobre Assange e o considerava “vergonhoso”. Para o republicano, na época, por suas ações, Assange merecia a “pena de morte”. / EFE e AFP