Trump diz em nota que reconhece nacionalidade americana de Obama

Trump diz em nota que reconhece nacionalidade americana de Obama

Hillary Clinton criticou a posição do republicano e afirmou que a recusa dele em reconhecer a origem do presidente dos EUA é exemplo de ‘intolerância’

Redação Internacional

16 de setembro de 2016 | 10h28

WASHINGTON – O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump – um dos líderes de um movimento que questionava a cidadania americana do presidente americano Barack Obama -, acredita que ele nasceu nos EUA, disse a campanha do empresário em comunicado na quinta-feira.

Em entrevista ao jornal The Washington Post divulgada mais cedo no mesmo dia, Trump se recusou a responder se acreditava que Obama havia nascido de fato no Havaí. “Responderei a essa pergunta na hora certa. Só não quero respondê-la agora”, disse o magnata.

O republicano Donald Trump confirmou que participará dos três debates com Hillary Clinton (FOTO: Ty Wright/The New York Times)

O republicano Donald Trump confirmou que participará dos três debates com Hillary Clinton (FOTO: Ty Wright/The New York Times)

Após alguns anos na presidência, Obama, o primeiro afro-americano a chegar à Casa Branca, divulgou uma versão mais extensa de sua certidão de nascimento em reação às pessoas que insinuavam que ele não havia nascido nos EUA.

“Em 2011, o senhor Trump finalmente foi capaz de pôr um fim a este incidente lamentável exortando o presidente Obama com sucesso a divulgar sua certidão de nascimento”, disse o assessor de comunicação de Trump, Jason Miller, em um comunicado emitido no final da quinta-feira.

Na época, Trump defendia a teoria da conspiração que dizia que o presidente americano tinha nascido em outro país, presumivelmente no Quênia.

“Tendo tido sucesso em obter a certidão de nascimento do presidente Obama quando outros não o conseguiram, o senhor Trump acredita que o presidente Obama nasceu nos Estados Unidos”, afirmou.

Trump vem tentando conseguir o apoio do eleitorado negro, que em sua maioria votou em Obama nas eleições de 2008 e 2012. Muitos afro-americanos repudiam o envolvimento de Trump com o movimento “birther” (que questiona a nacionalidade do presidente americano) e a implicação de que a presidência de Obama é ilegítima.

Reação. Os comentários de Trump ao jornal provocaram críticas da candidata presidencial democrata, Hillary Clinton, que expressou assombro com a resposta de Trump enquanto conversava com líderes hispânicos em um encontro em Washington.

“Ele continua não dizendo Havaí. Continua não dizendo América. Este homem quer ser nosso próximo presidente?”, indagou Hillary. “Quando é que ele vai parar com essa intolerância? Agora, ele tentou relançar a si mesmo e à sua campanha muitas vezes. Isso é o melhor que ele consegue fazer. Isto é o que ele é”, afirmou.

A ex-secretária de Estado insistiu que a recusa de Trump em reconhecer que Obama tenha nascido no território americano é mais um exemplo de “intolerância”. Hillary fez alusão ao recente episódio, protagonizado pelo magnata, durante seu discurso na 39ª Gala do Instituto do Caucus Hispânico do Congresso (CHCI, sigla em inglês), em que voltou a defender os latinos, os mesmos que Trump chamou no passado de “criminosos e estupradores”.

Hillary também afirmou que as eleições de novembro são especialmente importantes para essa minoria diante da “perigosa” retórica do republicano. “Eles não são estranhos. Eles não são intrusos. São nossos vizinhos, nossos colegas, nossos amigos, nossas famílias. Eu estou com vocês”, afirmou na cerimônia, que celebrou o início do Mês da Herança Hispana. / REUTERS e EFE

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