Trump questiona eleição e atrai críticas; Obama diz que tema ‘é perigoso’

Trump questiona eleição e atrai críticas; Obama diz que tema ‘é perigoso’

Líderes democratas e republicanos condenaram a recusa do bilionário em dizer se aceitará resultado da votação do dia 8 e disseram que atitude mina a democracia dos EUA

Redação Internacional

20 de outubro de 2016 | 17h08

Cláudia Trevisan
Enviada Especial / Las Vegas, EUA

Menos de 24 horas depois de provocar um terremoto político nos EUA ao se negar a dizer se respeitará o resultado da eleição presidencial do dia 8, Donal Trump disse nesta quinta-feira, 20, que aceitará a decisão das urnas – desde que ele seja o vencedor. As declarações do candidato foram condenadas por líderes democratas e republicanos e levaram o presidente Barack Obama a afirmar que o assunto não é tema para piadas.

A recusa de Trump em se comprometer com o resultado da disputa dominou o terceiro e último debate entre os candidatos antes das eleições. Realizado na noite de quarta-feira, em Las Vegas, o evento era visto como a úlima chance do bilionário de mudar a narrativa da campanha e virar o jogo cada vez mais favorável à sua adversária, Hillary Clinton.

U.S. Republican presidential nominee Donald Trump holds a campaign rally in Delaware, Ohio, U.S. October 20, 2016. REUTERS/Jonathan Ernst

Trump, durante comício em Delaware, Ohio. Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Mas sua decisão de colocar em dúvida a lisura do processo de votação e de deixar em suspenso seu compromisso com o resultado das urnas acabaram com suas chances de vitória no debate. Pesquisa da CNN indicou que 52% dos que assistiram o encontro avaliaram que Hillary foi a vencedora da noite. Trump foi o preferido de 39%. Ao se negar a dizer se acatará a decisão dos eleitores, o bilionário ameaça romper com uma longa tradição de transição pacífica de poder nos EUA.

“Isso é perigoso”, disse Obama em comício na Flórida. “Quando você tenta semear a dúvida na mente das pessoas sobre a legitimidade de nossas eleições, isso mina nossa democracia”, ressaltou. “Porque nossa democracia depende de as pessoas saberem que seu voto conta, que aqueles que ocupam os cargos de poder foram escolhidos pelo povo.”

As declarações de Trump também foram condenadas pelo republicano John McCain, que perdeu a disputa pela Casa Branca para Obama em 2008. “O reconhecimento da derrota não é apenas um exercício de gentileza. É um ato de respeito pela vontade do povo americano”, disse o senador.

Nos dias anteriores ao debate de quarta-feira, o candidato repetiu em comícios e em sua conta no Twitter a teoria de que o sistema eleitoral americano é “viciado” e há uma conspiração da mídia, de interesses econômicos e de institutos de pesquisa para favorecer Hillary.

“Eu gostaria de prometer e me comprometer com todos os meus eleitores e seguidores e com todo o povo dos Estados Unidos que eu vou aceitar totalmente os resultados desta grande e histórica eleição presidencial”, disse Trump hoje durante comício em Ohio. “Se eu ganhar”, acrescentou, depois de alguns segundos.

O candidato afirmou que aceitará um resultado que seja “claro”, mas ressaltou que se reserva o direito de contestá-lo legalmente caso seja o derrotado, cenário que descartou. “Conclusão, nós vamos ganhar”, disse o candidato, que está atrás de Hillary nas pesquisas por uma margem média de 7 pontos porcentuais.

Durante o debate, a democrata qualificou de “horripilante” a recusa de Trump em reconhecer a decisão das urnas. Em entrevista depois do evento, ela voltou a condenar o adversário. “Nós somos uma nação que tem as leis como base e nós temos eleições quentes e disputadas desde o começo”, afirmou. “Uma de nossas características é a de que sempre aceitamos os resultados de nossas eleições.”

Kellyanne Conway, diretora da campanha de Trump, disse hoje em entrevista à rede ABC que o candidato republicano respeita os princípios democráticos e está disposto a aceitar o resultado de um processo “livre e justo”.