Trump escolhe para Segurança nomes avessos a imigrantes e muçulmanos

Trump escolhe para Segurança nomes avessos a imigrantes e muçulmanos

Senador pelo Alabama Jeff Sessions foi convidado para pasta; Deputado Mike Pompeo comandará a Agência Central de Inteligência (CIA)

Redação Internacional

18 de novembro de 2016 | 11h28

WASHINGTON – Contrariando seus primeiros sinais de moderação, o presidente eleito Donald Trump moveu-se rapidamente para sua ala mais à direita para preencher os mais importantes postos de Segurança Nacional do futuro governo. Hoje, ele anunciou um grupo de conservadores que se mantiveram leais a ele durante a o processo eleitoral e refletiram a visão linha-dura que definiu a campanha presidencial do republicano.

Trump selecionou o senador do Alabama Jeff Sessions – que tem feito da perseguição a imigrantes irregulares uma marca registrada de suas políticas – para ser seu secretário de Justiça. O tenente-general aposentado Michael Flynn, que diz acreditar que a militância islâmica oferece uma ameaça existencial aos Estados Unidos, será seu conselheiro para assuntos de Segurança Nacional.

Jeff Sessions (E) ao lado de Trump durante comício em Madison, Alabama; de acordo com fonte, Sessions será o secretário de Justiça no governo do republicano (REUTERS/Marvin Gentry)

Jeff Sessions (E) ao lado de Trump durante comício em Madison, Alabama; de acordo com fonte, Sessions será o secretário de Justiça no governo do republicano (REUTERS/Marvin Gentry)

Para comandar a Agência Americana de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), Trump escolheu o deputado Mike Pompeo, do Kansas. Pompeo foi um dos mais duros questionadores de Hillary Clinton quando ela esteve na Câmara dos Deputados para falar a uma comissão de investigação da Casa sobre o ataque de 11 de setembro de 2012 contra o consulado americano em Benghazi, na Líbia. A ação, que ocorreu quando Hillary era secretária de Estado, matou o então embaixador do país na Líbia, Chris Stevens.

Perfil. As decisões deixaram claro ontem que Trump está assumindo o controle sobre um processo de escolha de nomes marcado inicialmente por disputas internas. Mostrou também que está se posicionando mais rapidamente para pôr sua marca no governo que tende a romper bruscamente com a presidência de Barack Obama.

Membros da equipe de transição deverão se encontrar, durante o fim de semana, com um vasto número de potenciais nomes para integrar o novo gabinete. Um desses nomes é o do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney. Colega de partido de Trump, foi também um dos maiores críticos do magnata durante a campanha. Ele é cotado para assumir o posto de secretário de Estado.

Está prevista também uma reunião com a democrata Michelle Rhee, responsável pela rede de escolas do Distrito de Columbia. De acordo com o New York Times, o nome dela seria um aceno de Trump a uma equipe “mais ampla e diversificada” sem se atrelar necessariamente à filiação política ou apoio a sua campanha presidencial.

Mas nas escolhas de ontem não havia nenhuma evidência de que Trump – que chegou a dar a entender que buscaria uma agenda mais centrista assim que assumisse a Casa Branca – estaria agora moderando suas ideias para governar.

Em um comunicado, Trump disse que Sessions é uma “mente legal da classe trabalhadora” e Pompeo seria um “líder brilhante e implacável para a comunidade de Inteligência”. Sobre Flynn, Trump afirmou que ambos “trabalhariam juntos para enfrentar o terrorismo islâmico, gerenciar desafios geopolíticos e manter os americanos seguros”.

Os três nomes são considerados fora do pensamento convencional republicano em alguma medida, posicionando-se com declarações ou pontos de vista muitas vezes considerados inaceitáveis pelo partido. Sessions, por exemplo, indicado pelo então presidente Ronald Reagan, foi impedido de se tornar juiz federal pela Comissão de Justiça da Câmara em 1986 por ter feito comentários e tomado atitudes racistas. / THE NEW YORK TIMES e REUTERS

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