Trump escolhe Steve Mnuchin para Secretaria do Tesouro

Trump escolhe Steve Mnuchin para Secretaria do Tesouro

Escolhido afirmou que terá como prioridades a reforma tributária e revisões de pactos comerciais, buscando alcançar um crescimento econômico entre 3% e 4%

Redação Internacional

30 de novembro de 2016 | 12h43

WASHINGTON – O presidente americano eleito, Donald Trump, escolheu nesta quarta-feira, 30, Steven Mnuchin para ocupar o cargo de secretário do Tesouro, e este já afirmou que terá como prioridades a reforma tributária e revisões de pactos comerciais, buscando alcançar um crescimento econômico entre 3% e 4%.

“Diminuindo os impostos corporativos, vamos criar um enorme crescimento econômico e isso possibilitará uma enorme receita pessoal”, explicou Mnuchin.

Steven Mnuchin é escolhido pelo presidente americano eleito, Donald Trump, como secretário do Tesouro (Foto: EFE/Andrew Gombert)

Steven Mnuchin é escolhido pelo presidente americano eleito, Donald Trump, como secretário do Tesouro (Foto: EFE/Andrew Gombert)

Mnuchin, de 53 anos foi escolhido por Trump seu diretor financeiro nacional de campanha em maio. Eles são amigos há 15 anos. Mnuchin também é ligado aos filhos de Trump e a seu genro, Jared Kushner, alto assessor do presidente eleito, tendo trabalhado com eles na arrecadação de fundos.

A campanha arrecadou pelo menos US$ 169 milhões, que se somaram aos US$ 66 milhões que Trump pôs do próprio bolso. Embora o montante fosse próximo do que Hillary Clinton levantou, ganha mais significado considerando-se que Trump só começou a arrecadar decididamente em fins de maio.

Mnuchin e Wilbur Ross, o escolhido de Trump para secretário do Comércio, disseram ontem numa entrevista conjunta à CNBC que pretendem trabalhar juntos na política do novo governo de promover o crescimento econômico e criar empregos.

“Nossa prioridade número um é a reforma tributária”, disse Mnuchin. “Será a maior mudança tributária desde Reagan. Vamos cortar impostos de empresas para trazer um grande número de empregos de volta para os Estados Unidos.”

Se aprovado pelo Senado, Mnuchin seguirá a tradição de dois ex-secretários do Tesouro – Robert Rubin, no governo Clinton, e Henry Paulson, no de George W. Bush. Todos eles têm vasta experiência de Wall Street, adquirida em anos de trabalho no poderoso Goldman Sachs.

Entretanto, diferentemente de Rubin e Paulson e dos dois secretários do Tesouro do presidente Barack Obama, Timothy Geithner e Jacob Lew, Mnuchin não levará ao Tesouro nenhuma experiência de governo – o que poderá ser um obstáculo nas traiçoeiras águas da política de Washington.

Após se formar em Yale, em 1985, Mnuchin trabalhou no Goldman Sachs por 17 anos. Seu pai, Robert Mnuchin, também havia trabalhado no banco por três décadas, tornando-se sócio encarregado do setor de compra e venda de títulos.

O jovem Mnuchin fez a própria fortuna na empresa, da qual saiu em 2002. Trabalhou por um breve período no Soros Fund Management, de George Soros, antes de começar a própria companhia de investimentos, Dune Capital Management.

Como chefe dessa empresa, Mnuchin e outros investidores participaram da compra da falida empresa hipotecária IndyMac em 2009, mudando seu nome para OneWest. A quebra da IndyMac em 2008, com capital de US$ 32 bilhões, foi uma das maiores no estouro da bolha imobiliária.

Mnuchin tornou-se presidente da OneWest, que foi vendida para o CIT Group em 2015. Antes da venda, a OneWest enfrentou uma série de processos sob acusação de vender imóveis sob execução hipotecária.

Neste mês, advogados do setor imobiliário pediram ao Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano que investigue a OneWest por possíveis violações do Fair Housing Act. A empresa é acusada de não abrir filiais em comunidades de minorias, de negociar poucas hipotecas com compradores de casas negros e de, enquanto mantinha em ordem propriedades executadas localizadas em bairros brancos, deixar que casas semelhantes localizadas em comunidades de minorias se deteriorassem.

O CIT não respondeu diretamente às acusações, mas afirmou numa declaração que tem compromisso com empréstimos honestos e trabalha para levar crédito a todas as comunidades e bairros a que serve.

Na entrevista à CNBC, Mnuchin defendeu a compra da IndyMac. “Uma das coisas de que mais me orgulho em minha carreira foi comprar a IndyMac em meio à crise financeira. Nós a compramos do governo, salvamos muitos empregos e criamos muitas oportunidades para empréstimos corporativos”.

Mnuchin também se tornou um grande investidor em Hollywood, ajudando a financiar filmes como o blockbuster Avatar.

Como secretário do Tesouro, Mnuchin será o principal porta-voz do governo para a economia, servindo de ligação não apenas com Wall Street, mas com os investidores globais, um papel estratégico dados os trilhões de dólares em títulos do Tesouro em poder de estrangeiros. Além disso, caberá a ele vender ao Congresso o novo programa econômico do governo.

Mnuchin também terá a seu encargo uma vasta burocracia, que inclui o imposto de renda e a agência que paga mensalmente os cheques da seguridade social e outros benefícios. O Departamento do Tesouro controla ainda a agência que financia a guerra contra o terrorismo.

Antes mesmo de sua indicação ser anunciada, Mnuchin já era atacado por seus laços com Wall Street. “É difícil imaginar alguém que represente mais a cultura de ganância de Wall Street que o ex-sócio do Goldman Sachs”, disse num comunicado o Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação dos Estados Unidos.

Durante a campanha, Trump queixou-se do Dodd-Frank Act, aprovado em 2010 em resposta à crise financeira de 2008. O ato visa a impedir outra crise por meio do aperto das regulamentações financeiras. Trump considerou “um desastre” a crescente regulamentação dos bancos.

Mnuchin disse na entrevista à CNBC que o Dodd-Frank Act “é muito complicado e dificulta empréstimos”. Por isso ele pretende eliminar as partes do ato que impedem os bancos de emprestar. Segundo ele, essas mudanças são “a prioridade número um” no que se refere a regulamentações. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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