Trump faz mudanças em equipe e reforça mensagem populista

Trump faz mudanças em equipe e reforça mensagem populista

As mudanças na liderança chegam no momento em que pesquisas de intenção de voto mostram Trump, um rico empresário de Nova York que jamais ocupou um cargo público, atrás da candidata democrata, Hillary Clinton

Redação Internacional

17 Agosto 2016 | 16h46

WASHINGTON – O candidato presidencial republicano Donald Trump decidiu fazer mudanças em sua turbulenta campanha contratando o diretor de um site conservador como seu diretor-executivo e promovendo uma estrategista política e especialista em pesquisas para um papel sênior.

As recentes mudanças foram descritas por jornais americanos como um movimento “deixe Trump ser Trump”. Elas evidenciam que o político, tão seguro de seus instintos durante as primárias, parece estar perdido em seu caminho como candidato para a eleição geral.

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Os novos integrantes da campanha de Trump: Kellyanne Conway e Stephen Bannon

Um comunicado da assessoria republicana informou que o diretor do Breitbart News, Stephen Bannon, se tornou chefe executivo da campanha de Trump e substituirá Paul Manafort. Kellyanne Conway, que vinha atuando como consultora, assumirá o cargo de gerente de campanha.

As mudanças na liderança chegam no momento em que pesquisas de intenção de voto mostram Trump, um rico empresário de Nova York que jamais ocupou um cargo público, atrás da candidata democrata, Hillary Clinton, na corrida da eleição de 8 de novembro.

A incorporação de Bannon, defensor do estilo populista de Trump e crítico de alguns líderes republicanos como o presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, quer “reforçar a estratégia de tipo empresarial” do candidato, de acordo com o comunicado.

Bannon não tem nenhuma experiência em campanhas políticas, mas tem um perfil combativo, similar ao de Corey Lewandowski, gerente de campanha demitido em junho, substituído por Manafort.

Kellyanne trabalhou nas campanhas de vários republicanos, entre eles o senador Ted Cruz, do ex-presidente da Câmara dos Deputados Newt Gingrich e do próprio Mike Pence, governador de Indiana e candidato a vice-presidente na chapa de Trump.

Embora Kellyanne tenha trabalhado em várias primárias, nunca foi chefe em uma campanha para a presidência e, segundo veículos de imprensa americanos, tem a simpatia de Ivanka Trump, uma das filhas do magnata.

Trump vem se deparando com uma avalanche de críticas de republicanos devido a seu estilo de campanha indisciplinado e à sua recusa de se ater a uma mensagem política.

Ele ficou sob fogo cerrado após uma longa discussão com a família muçulmana de um soldado americano morto em ação no Iraque e sua acusação sem fundamento de que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e Hillary são cofundadores do Estado Islâmico (EI). Mais tarde, Trump recuou em seus comentários sobre o grupo militante.

O anúncio da campanha cita Trump dizendo que está “empenhado em fazer o que for preciso para vencer” a eleição. As alterações na equipe, relatadas primeiramente pelo jornal Wall Street Journal, marcam a segunda vez em dois
meses em que Trump faz uma grande reformulação na liderança de sua campanha. A primeira foi com a demissão de Lewandowski.

O comunicado da campanha de Trump informou que Manafort continuará como chairman da campanha e como estrategista-chefe. A equipe também informou que realizará sua primeira grande compra de espaço para comerciais televisivos na sexta-feira nos Estados de Flórida, Ohio, Carolina do Norte e Pensilvânia.

As mudanças ocorrem apenas dois dias depois de Manafort ser acusado pelo The New York Times de receber durante seis anos quase US$ 13 milhões procedentes de um partido pró-Rússia na Ucrânia.

O mesmo jornal garantiu que entre as transações duvidosas havia um acordo no valor de US$ 18 milhões para vender ativos de uma televisão a cabo a um consórcio montado por Manafort e pelo oligarca russo Oleg Deripaska, aliado do presidente Vladimir Putin.

Com essas alterações em sua equipe a menos de três meses para as eleições de novembro, Trump pretende dar um impulso a sua controvertida campanha e se recuperar de sua queda nas pesquisas de intenções de voto, segundo as quais Hillary leva vantagem nacional e em vários estados-chave.

No entanto, Trump resistiu às pressões para que modere sua retórica e assuma posições mais politicamente corretas. “Sabe, eu sou quem sou (…) Não quero mudar. Ou seja, você tem que ser você. Se você começa a mudar, não está sendo honesto com as pessoas”, defendeu na terça-feira em uma entrevista a uma televisão local de Wisconsin. /
REUTERS, EFE e NYT