Trump ignora briefings de inteligência e segurança

Trump ignora briefings de inteligência e segurança

Desde que foi eleito à presidência dos EUA no começo do mês, republicano só recebeu as informações secretas - disponíveis diariamente - em duas oportunidades

Redação Internacional

24 de novembro de 2016 | 12h09

WASHINGTON – O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, só recebeu dois briefings de inteligência e segurança desde que venceu a disputa a eleição no início do mês, uma quantidade considerada abaixo do necessário em comparação com seus antecessores, de acordo com funcionários e ex-funcionários do governo.

Uma equipe de analistas de inteligência está pronta para oferecer informações secretas diariamente para Trump sobre o desenrolar de  assuntos globais e ameaças de segurança, mas o republicano preferiu focar seu tempo nestas duas semanas nas negociações para formar seu gabinete. A decisão teria sido tomada por sugestão de funcionários envolvidos na equipe de transição de Trump.

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ignorou a maioria dos briefings com informações secretas (AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ignorou a maioria dos briefings com informações secretas (AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

Trump recebeu o primeiro briefing nos dias seguintes a sua vitória. A segunda sessão de informação com funcionário do governo foi realizada na terça-feira, pouco antes de ele viajar para a Flórida, onde passa o feriado de Thanksgiving, nesta quinta. No entanto, todas as outras oportunidades de receber este tipo de informação foram ignoradas pelo presidente eleito.

O vice-presidente eleito, Mike Pence, por sua vez, reservou um horário em sua agende praticamente todos os dias para receber os briefings, segundo fontes ouvidas pelo jornal The Washington Post.

Para alguns analistas, no entanto, a falta de envolvimento de Trump com este tipo de informação é mais um sinal da indiferença do presidente eleito para determinadas áreas, o que seria um reflexo de sua falta de experiência em questões de segurança nacional e sua desconsideração em relação às capacidades das agências de inteligência dos EUA, como ele manifestou durante a campanha.

Um funcionário sênior do governo americano que recebe o mesmo briefing entregue ao presidente Obama todos os dias afirmou que se Trump dedicasse parte de eu tempo a esses relatórios poderia se atualizar nos eventos mundiais de forma mais apropriada. “Trump terá que se recuperar em relação a muitas coisas”, disse o funcionário.

O deputado republicano pela Califórnia Devin Nunes refuta, no entanto, a ideia de que Trump não dê importância para questões de segurança. Nunes, que é diretor do Comitê de Inteligência da Câmara e membro sênior da equipe de transição do presidente eleito, afirmou que até mesmo enquanto se encontra com líderes mundiais e discute sua equipe de governo, o presidente eleito está atento a estes assuntos.

“A segurança nacional é a prioridade número 1 de Donald Trump. Acredito que ele leve este tema muito a sério”, afirmou Nunes. “Veja, por exemplo, com quantos líderes ele já se encontrou, quantos telefonemas ele fez, quantos cargos ele já preencheu. As pessoas que estão sendo críticas (por este motivo) precisam arrumar o que fazer.”

Um porta-voz do Diretor de Inteligência Nacional, que supervisiona a produção dos briefings diários para o presidente, não quis comentar a decisão do presidente eleito de não receber as informações. Já o porta-voz da equipe de transição de Trump não respondeu aos questionamentos sobre o assunto. / WASHINGTON POST

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