Trump leva convidados a debate para tentar reverter queda nas pesquisas

Trump leva convidados a debate para tentar reverter queda nas pesquisas

No último embate frente a frente antes da eleição de 8 de novembro, candidato republicano chamou à plateia o meio-irmão do presidente Barack Obama e a mãe de um dos americanos mortos no ataque de extremistas ao consulado em Benghazi, na Líbia

Redação Internacional

19 de outubro de 2016 | 20h55

Cláudia Trevisan
Enviada Especial / Las Vegas, EUA 

Em uma eleição que desfez a fronteira entre política e entretenimento, parecia apropriado que o último embate entre os candidatos ocorresse em Las Vegas, a cidade que abrigou algumas das mais célebres lutas de boxe da história dos EUA. O republicano Donald Trump chegou ao enfrentamento desta quarta-feira, 19, nocauteado pelas pesquisas eleitorais e promete revidar com violência.

Entre os convidados do candidato para o debate de hoje está Pat Smith, mãe de um dos quatro cidadãos americanos mortos no ataque à representação diplomática dos Estados Unidos em Benghazi, em 2012, na Líbia, quando a democrata Hillary Clinton era secretária de Estado. Smith participou da convenção do Partido Republicano em julho e acusou Hillary de ser responsável pela morte de seu filho, Sean Smith.

Malik Obama, meio-irmão de Obama, em imagem de arquivo. Foto: Thomas Mukoya/Reuters

Malik Obama, meio-irmão de Obama, em imagem de arquivo. Foto: Thomas Mukoya/Reuters

No segundo debate, há dez dias, Trump surpreendeu a adversária ao convidar para o evento três mulheres que dizem ter sido vítimas de abusos sexuais praticados pelo ex-presidente Bill Clinton.

O bilionário também convidou para o evento de hoje o meio-irmão do presidente Barack Obama, Malik, que em julho declarou seu apoio ao candidato republicano.

O debate será o último enfrentamento direto entre Hillary e Trump antes do dia 8, quando os americanos irão às urnas para escolher o sucessor de Obama.

O bilionário que por alguns dias liderou as pesquisas em agosto chegou ao debate em sua pior posição desde o início da campanha eleitoral. Com base em pesquisas eleitorais recentes, o jornal The New York Times avalia hoje que Hillary tem 92% de chance de vencer a disputa e se tornar a primeira mulher a ocupar a presidência dos EUA.

Trump viu sua posição piorar depois da divulgação de vídeo no qual fala de maneira vulgar e se gaba de poder fazer o que quiser com as mulheres por ser famoso.

A gravação foi revelada dois dias antes do segundo debate entre os candidatos e dominou o debate político no país desde então. Depois que o diálogo foi divulgado, pelo menos dez mulheres vieram a público dizer que foram vítimas de comportamento sexual inadequado do candidato.

Mas Trump tem munição para atacar Hillary. E-mails divulgados pelo Wikileaks têm o potencial de reforçar os argumentos do bilionário de que sua adversária representa um sistema político viciado que a beneficia pessoalmente.

Algumas das mensagens mostram um assessor de Hillary no Departamento de Estado tentando chegar a um acordo com o FBI para mudar a classificação de uma mensagem que passou pelo servidor privado da candidata durante sua gestão no Departamento de Estado. O objetivo era retirar a classificação de “secreto”, o que afastaria a suspeita de que Hillary colocou em risco informações confidenciais ao usar um servidor próprio de internet. Apesar de a mudança não ter sido feita, Trump aponta a negociação como um indício de corrupção por parte de Hillary.

Mas a três semanas da eleição, havia limites para o potencial impacto do debate sobre a corrida. Além de Hillary liderar as pesquisas nacionais com uma média de 6,5 pontos porcentuais, ela também tem vantagem em quase todos os “swing States”, aqueles que oscilam entre democratas e republicanos e serão cruciais para o resultado da eleição.