Trump pede investigação e fechamento imediato da Fundação Clinton

Trump pede investigação e fechamento imediato da Fundação Clinton

Para candidato republicano, fundação ligada aos Clinton é a 'empresa mais corrupta da história política' do país; magnata pediu que promotor especial para investigue possíveis conflitos de interesses depois de afirmar que nem o FBI nem o Departamento de Justiça tem legitimidade para atuar no caso

Redação Internacional

23 Agosto 2016 | 11h32

WASHINGTON – O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, reivindicou nesta terça-feira, 23, ao governo americano a designação de um promotor especial para investigar possíveis conflitos de interesses de sua rival, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, com a Fundação Clinton. Na noite de segunda-feira, o magnata já havia criticado a fundação, que ele definiu como “a empresa mais corrupta da história política” do país, e pedido seu fechamento imediato.

“Não há nada que ilustre melhor quão é corrupta minha oponente com seus escândalos como secretária de Estado”, afirmou o magnata, que não duvidou em definir como “criminosos” os comportamentos de Hillary no cargo que ocupou entre 2009 e 2013. Trump fez este pedido durante um ato na cidade de Akron, em Ohio.

O candidato republicano denunciou um suposto sistema de “pay-for-play” (pague para jogar) onde benfeitores da Fundação Clinton (entre eles empresários ou países como a Arábia Saudita) ganhavam acesso direto à maior autoridade da diplomacia americana em troca de grandes doações.

“A quantidade de dinheiro envolvido, os favores feitos e o número significativo de vezes que ocorreu exigem uma rápida investigação de afirmou o magnata nova-iorquino. Segundo Trump, tanto o Departamento de Justiça como o FBI estão deslegitimados para realizar uma investigação deste tipo após o fechamento, por enquanto, do caso dos e-mails de Hillary sem imputação de crimes.

“Depois que o FBI e o Departamento de Justiça encobriram os crimes de Hillary, não fica dúvida que não se pode confiar neles para investigar de forma rápida e imparcial novos crimes de Hillary Clinton, que acontecem o tempo todo”, afirmou.

O pedido de Trump aconteceu um dia depois de o FBI descobrir cerca de 15 mil documentos não revelados vinculados ao escândalo dos e-mails da candidata democrata, número que representa quase 50% dos 30 mil divulgados anteriormente.

Acusações. Em comunicado divulgado pela campanha de Trump na noite de segunda-feira, o magnata afirmou que a candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, “é a defensora do ‘status quo’ corrupto” e afirmou que ela e seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, passaram “décadas enchendo seus bolsos” com o uso de informação privilegiada e “cuidando dos doadores ao invés do povo americano”.

Segundo Trump, “está claro que a Fundação Clinton é a empresa mais corrupta da história política” e, portanto, deve ser “fechada imediatamente”. Essa instituição – cujo nome completo é Fundação Bill, Hillary e Chelsea Clinton – arrecadou cerca de US$ 2 bilhões em doações em quase duas décadas.

Na semana passada, o jornal “The Washington Post” publicou um editorial no qual criticava a “porosidade” entre a fundação e o Departamento de Estado quando Hillary era a chefe da diplomacia americana.

Pouco depois, na sexta-feira, a Fundação Clinton anunciou que realizará várias mudanças caso Hillary ganhe as eleições presidenciais de novembro, entre as quais se destaca o não recebimento de doações vindas do exterior ou de corporações. Além disso, ganhando ou perdendo as eleições, a fundação deixará de organizar a Iniciativa Global Clinton, um encontro anual que reúne líderes, grandes empresários, doadores e famosos.

Em resposta ao pedido de Trump, a campanha de Hillary destacou em comunicado que a fundação já estabeleceu “as medidas sem precedentes” que adotará se a ex-secretária de Estado chegar à Casa Branca.

Além disso, o chefe de campanha de Hillary, John Podesta, pediu a Trump que seja sincero com os eleitores “sobre sua complexa rede de empresas com fins lucrativos”, incluindo “centenas de milhões de dólares” em dívidas com grandes bancos, como o estatal Banco da China e seus “vínculos com o Kremlin”.

Podesta também pediu que Trump “deixe de se esconder por trás de desculpas falsas” e publique suas declarações de impostos, como Hillary já fez. / EFE

Mais conteúdo sobre:

Partido DemocrataDonald Trump