Trump requisita informações sobre barreiras e vigilância de fronteiras

Trump requisita informações sobre barreiras e vigilância de fronteiras

Equipe de transição do presidente eleito dos EUA pediu ao Departamento de Segurança Interna que avaliasse ativos disponíveis para a construção de muros e barreiras de fronteira e questionou capacidade de ampliação de programas de detenção de imigrantes e vigilância aérea

Redação Internacional

03 Janeiro 2017 | 12h31

WASHINGTON – Em um amplo pedido por documentos e análises, a equipe de transição do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, requisitou ao Departamento de Segurança Interna que avaliasse todos os ativos disponíveis para a construção de muros e barreiras de fronteira.

A equipe também perguntou, em dezembro, sobre a capacidade do departamento de expandir o programa de detenção de imigrantes e sobre um programa de vigilância aérea que foi reduzido sob o governo de Barack Obama, mas permanece popular entre os que defendem mais controle sobre a imigração. Também foi questionado se servidores federais alteraram informações biográficas mantidas pelo departamento sobre imigrantes, por preocupações sobre suas liberdades civis.

Os pedidos foram feitos em uma reunião em 5 de dezembro entre a equipe de transição de Trump e representantes do Departamento de Segurança Interna, de acordo com um memorando interno da agência obtido pela agência Reuters.

O documento oferece um relance sobre a estratégia do presidente eleito para garantir a segurança das fronteiras dos EUA e reverter políticas adotadas pela administração Obama. A equipe de transição de Trump não respondeu a pedidos de comentários sobre as iniciativas. Uma porta-voz do Departamento de Segurança Interna e da Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras não quis comentar.

Em resposta ao pedido da equipe de transição, agentes da agência de proteção fronteiriça identificaram mais de 600 quilômetros na fronteira entre EUA e México, e cerca da mesma distância na fronteira entre EUA e Canadá, onde novas cercas podem ser construídas, de acordo com os documentos vistos pela Reuters.

Não foi possível determinar se a equipe de Trump está considerando uma barreira na fronteira ao norte do país. Durante sua campanha, Trump prometeu construir um muro e expandir partes cercadas da fronteira entre EUA e México, mas disse não haver necessidade de construir um muro com o Canadá.

Um programa sobre o qual a equipe de transição fez perguntas, de acordo com o sumário por e-mail, foi a Operação Falange, um programa de vigilância aérea que autoriza 1,2 mil aviadores da Guarda Nacional do Exército a monitorar a fronteira do sul do país em busca de tráfico de drogas e imigração ilegal.

O programa, que já teve mais de 6 mil aviadores sob a administração do ex-presidente George W. Bush, foi reduzido por Obama, uma medida criticada por conservadores, os quais argumentam que a vigilância é vital para a segurança na fronteira.

Trump disse ter a intenção de desfazer as ordens executivas de Obama sobre imigração, incluindo uma ordem de 2012 que permite que crianças trazidas ilegalmente para os EUA por seus pais possam permanecer no país sob autorização temporária, o que as permitiria ir à faculdade ou trabalhar.

Durante sua campanha presidencial, o presidente eleito prometeu deportar mais imigrantes sem documentos, uma promessa que pode ter levado sua equipe de transição a pedir por informações sobre a viabilidade da expansão de instalações temporárias de detenção.

Comércio. Trump deve nomear Robert Lighthizer como representante do Comércio de seu governo, disseram na noite de segunda-feira autoridades da equipe de transição do governo. Lighthizer trabalhou como vice-representante de Comércio dos EUA, com status de embaixador, durante o governo do republicano Ronald Reagan na década de 1980, de acordo com a biografia publicada no site da Skadden Arps, a empresa de advocacia da qual ele é atualmente sócio.

Desde então, ele tem representado clientes americanos em casos antidumping e buscado abrir acesso a mercados estrangeiros, diz a biografia. Como representante de Comércio de Trump, Lighthizer terá um papel importante em estabelecer uma política comercial que pode aumentar as tensões com a China e outros importantes parceiros comerciais dos EUA.

Entretanto, ele provavelmente não será o principal arquiteto da política comercial de Trump. De acordo com um porta-voz da transição, esse papel caberá ao bilionário Wilbur Ross, escolhido por Trump para ser o secretário de Comércio. / REUTERS