Trump tem histórico racista e promove o preconceito, diz Hillary

Candidata democrata à Casa Branca acusa rival de dar voz a radicais de extrema direita e a supremacistas brancos

Redação Internacional

26 Agosto 2016 | 05h00

Cláudia Trevisan
CORRESPONDENTE / WASHINGTON

Donald Trump tem um histórico racista, construiu sua campanha com base no “preconceito e na paranoia” e deu um “megafone nacional” para radicais de direita que defendem a supremacia branca e o nacionalismo extremo, afirmou ontem Hillary Clinton, sua adversária na disputa pela presidência dos EUA. “Trump diz que quer fazer a América grande de novo, mas cada vez mais sua mensagem parece ser fazer a América odiar de novo.”

A questão racial foi levada ao centro da campanha americana há uma semana, quando o candidato republicano passou a cortejar eleitores negros com a declaração de que eles “não têm nada a perder” com a eventual escolha de seu nome em novembro. Trump fez ontem uma defesa prévia contra os ataques de Hillary e disse que a acusação de racismo atingia não apenas a ele, mas todos os seus eleitores.

O discurso da democrata foi anunciado com antecedência por sua campanha e apresentado como uma denúncia do fortalecimento de grupos extremistas estimulada pela retórica nacionalista, anti-imigrante e anti-islâmica do republicano.

Hillary afirmou que o racismo marcou a trajetória de Trump desde o início de seus negócios no setor imobiliário, quando ele foi investigado pelo Departamento de Justiça por se recusar a alugar imóveis a inquilinos negros e hispânicos. Anos mais tarde, disse a candidata, um de seus cassinos foi multado por retirar clientes afro-americanos dos locais de apostas.

A candidata também lembrou que Trump liderou o movimento que colocou em dúvida o local de nascimento do presidente Barack Obama, marcado por insinuações de que ele havia nascido no Quênia e era muçulmano. Segundo ela, a ofensiva era parte de um esforço de “deslegitimar” o primeiro presidente negro da história dos EUA.

A união entre o republicano e grupos de extrema direita foi oficializada pela escolha, na semana passada, de Stephen Bannon como CEO de sua campanha, ressaltou Hillary. O executivo comanda o site Breitbart, que ele próprio descreve como a “plataforma do movimento alt-right”. A expressão é a contração em inglês de “direita alternativa” e abrange uma série de grupos extremistas que atuam principalmente na internet.

Em comum, a ideia de que o homem branco americano está sob ataque em uma sociedade cada vez mais multicultural, na qual as mulheres e minorias ganham poder. Na opinião de Hillary, o fenômeno Trump faz parte da onda global de fortalecimento da direita nacionalista, que teve sua manifestação mais concreta na decisão da Grã-Bretanha de sair da União Europeia.

Anteontem, o republicano fez campanha no Mississippi ao lado de Nigel Farage, o nacionalista que liderou o Brexit com um discurso centrado no ataque a imigrantes.
Em seus últimos discursos, Trump tem feito apelos diretos aos negros, aos quais apresenta como habitantes de um universo marcado pela pobreza, a ignorância e a violência. Para muitos analistas, o alvo do discurso não são os negros, mas os brancos moderados que resistem a votar em Trump em razão da imagem de intolerância associada à sua candidatura.

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