Universitários repensam plano de estudar nos EUA

Universitários repensam plano de estudar nos EUA

Enquanto cresce procura de estrangeiros por estudo no Canadá, universidades americanas se preocupam após vitória de Trump

Redação Internacional

19 de novembro de 2016 | 17h09

NOVA DÉLHI – Em uma feira universitária na quarta-feira em Nova Délhi, 20 universidades americanas faziam promoção de cursos para atrair novos estudantes. Vários manifestavam sua preocupação com um governo de Donald Trump.

Segundo Aman Kumar, de 18 anos, que examinava cursos na Califórnia, “Trump, durante sua campanha, discriminou os muçulmanos, negros e pardos. Estou pensando em estudar no Canadá”, disse. O número de estrangeiros em faculdades americanas passou de 1 milhão pela primeira vez este ano, injetando mais de US$ 32 bilhões anuais à economia.

Alpha Lambda Mu pledges of the University of California, San Diego wait for a table after their initiation ceremony outside the Snooze restaurant in San Diego, Oct. 27, 2013. At the country's first Islamic fraternity, Alpha Lambda Mu, students get the opportunity to express both sides of their identity, the American and the Muslim. (Sam Hodgson/The New York Times)

Estudantes muçulmanos da Universidade da Califórnia, San Diego

Responsáveis pelas matrículas nas universidades nos EUA afirmam que ainda é muito cedo para tirar conclusões sobre inscrições do exterior, pois os pedidos de admissão vêm em janeiro e fevereiro. Mas estão preocupados.

As universidades canadenses detectaram um aumento de interesse de estrangeiros – boa parte deles dos EUA. “As visitas ao nosso site partindo dos EUA normalmente são de cerca de 1 mil por dia. Em 9 de novembro, saltaram para 10 mil”, disse Ted Sargent, do departamento de matrículas internacionais da Universidade de Toronto.

Scott Manning, diretor de programas globais na Susquehanna University, com sede na Pensilvânia, soube antes da eleição que dois possíveis alunos da China aguardavam a eleição para apresentar os documentos necessários ao visto para frequentar a universidade. “Estavam assustados com as ameaças feitas por Trump no caso do Mar do Sul da China, as disputas com o Japão sobre algumas ilhas desabitadas e questões comerciais no geral”, disse Manning. Os estudantes ainda não enviaram os documentos.

Em maio, a Associação Internacional de Educadores apresentou estudo concluindo que 60% dos potenciais estudantes estrangeiros estavam menos inclinados a frequentar uma universidade americana caso Trump fosse eleito. Recentemente, especialistas na área que estiveram na China e na Índia observaram nervosismo pós-eleitoral.

Andrew Chen, diretor de desenvolvimento na WholeRen, empresa de consultoria, retornou aos EUA esta semana. Vindo da China, disse que universidades de outros países já tentam se beneficiar dos temores com relação a Trump.

“Muitas organizações e programas começam a usar o novo governo Trump para promover o ensino na Grã-Bretanha, na Austrália e em Cingapura”, disse Chen. “Dizem que se tornará um país hostil”. Chen crê que esses temores são infundados. “Não é como os refugiados do Oriente Médio ou os muçulmanos sobre os quais Trump disse querer um exame dos antecedentes, caso também dos mexicanos. Não acho que ele não aprecie os estudantes internacionais que pagam para estudar nos EUA”.

Quando preparava sua candidatura para universidades americanas, Naina Lavakare, que frequenta a British School em Nova Délhi, desenvolveu um plano B. “Ela optou por cursos na Grã-Bretanha e no Canadá, disse sua mãe, preocupada com os discursos anti-imigração de Trump. “Naina e seus amigos consideram Trump uma pessoa intolerante e misógina.” / NYT

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