‘USA Today’ alerta para demagogia perigosa de Trump

‘USA Today’ alerta para demagogia perigosa de Trump

O jornal, de alcance nacional e um dos de maior circulação nos EUA, nunca, em seus 34 anos de existência, havia tomado partido na disputa presidencial, mas seu diretório editorial resolveu fazer isso este ano

Redação Internacional

30 de setembro de 2016 | 17h41

O jornal americano USA Today rompeu com sua tradição de isenção política e tomou partido nesta sexta-feira, 30, na disputa eleitoral, ao alertar seus leitores para que “resistam aos cantos de sereia de um perigoso demagogo”, em referência ao republicano Donald Trump.

O jornal, de alcance nacional e um dos de maior circulação nos Estados Unidos, nunca em seus 34 anos de existência havia tomado partido na disputa presidencial, mas seu diretório editorial resolveu fazer isso este ano.

USTODAY_reproducao

“Nunca antes havíamos visto motivos para alterar nossa posição. Até agora”, justificou o jornal. “Este ano, um dos candidatos – o indicado republicano Donald Trump – não é, por consenso unânime do Diretório Editorial, apto para a presidência.”

“Desde o dia em que declarou sua candidatura, há 15 meses, até o primeiro debate presidencial, Trump demonstrou reiteradas vezes que carece do temperamento, do conhecimento, da seriedade e da honestidade de que os Estados Unidos necessitam de seus presidentes.”

O jornal apresenta uma lista de oito pontos para explicar por que o magnata não é capacitado para ocupar a Casa Branca. Trump é “errático”, “sem preparação para ser comandante em chefe” e um “mentiroso serial”, enumera o jornal. Também “trafica preconceitos”, “fala com imprudência”, cai o nível do diálogo nacional, tem uma carreira empresarial com altos e baixos e não cumpriu junto aos eleitores com sua obrigação de apresentar seu imposto de renda.

No entanto, o USA Today se abstém de apoiar a democrata Hillary Clinton, afirmando que o diretório não conseguiu alcançar um consenso a respeito disso.

O jornal faz referência à longa carreira política da aspirante democrata, mas assinala seu “sua falta de franqueza e seu extremo descuido na manipulação de informações confidenciais”.

Hillary Clinton tem falhas, “apesar dessas falhas serem pouco propensas a ameaçar a segurança nacional ou de levar a uma crise constitucional”, ressalta o jornal, em clara referência à ameaça que Trump representa nesse sentido.

O USA Today pede que os eleitores votem em Hillary, em um terceiro candidato ou se foquem na eleição de outros cargos que estão em jogo na votação de 8 de novembro. “O que quer que façam, resistam, no entanto, ao canto de sereia de um perigoso demagogo. Por favor, votem, mas não votem em Donald Trump”, sentencia.

O USA Today é o último de uma série de jornais que expressaram sua rejeição a Trump. Jornais conservadores como The Arizona Republic, Cincinnati Enquirer e Dallas Morning News romperam com anos de apoio aos candidatos republicanos e expressaram seu apoio a Hillary Clinton. Jornais respeitados como The New York Times também expressaram seu apoio à ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama.

Em um artigo refutando as colocações do jornal, o companheiro de chapa do republicano, Mike Pence, insiste que “Trump está pronto para governar”.

“O povo americano está uma vez mais diante de uma disjuntiva eleitoral. Por um lado, temos a candidata Hillary Clinton que representa tudo que está errado no statu quo de Washington”, afirmou Pence. “Por outro lado, Donald Trump tem a coragem de dizer o que pensa e a audácia para tornar realidade sua visão dos Estados Unidos renovados.”

Fiel a seu estilo, Trump respondeu no Twitter que os jornais que o rejeitam estão simplesmente perdendo leitores.

“As pessoas são obviamente inteligentes ao suspender suas assinaturas desses jornais de Dallas e do Arizona, e agora o USA Today perderá leitores! As pessoas sabem!”, tuitou.

Hillary Clinton e Donald Trump travam uma acirrada disputa pela Casa Branca, com uma leve vantagem de 2,6 pontos da candidata democrata, segundo a última média de pesquisas realizada pelo site RealClearPolitics. / AFP