Vice amplia crise da campanha de Trump

Pence contradiz declaração do candidato de que não apoiaria reeleição de republicanos

Redação Internacional

03 Agosto 2016 | 19h00

WASHINGTON – Horas depois de o candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, ter afirmado que não apoiaria a campanha de dois líderes partidários – o presidente da Câmara, Paul Ryan, e do senador John McCain, que buscam a reeleição –, o candidato a vice de sua chapa, Mike Pence, o contradisse nesta quarta-feira, assegurando o respaldo aos parlamentares. Pouco antes, um porta-voz de Ryan afirmara que o deputado não pediu apoio a Trump.

Mesmo diante da revolta explícita de alguns correligionários em razão de suas polêmicas declarações, o magnata assegura que sua campanha segue unida na corrida à Casa Branca. Trump, que apesar de ter vencido as primárias e de ter sido confirmado na convenção do partido ainda enfrenta a resistência do establishment da legenda, disse que não apoiaria Ryan e McCain porque o país “precisa de líderes mais fortes”.

“Existe uma grande unidade em minha campanha, talvez maior do que jamais houve. Quero agradecer a todos por seu tremendo apoio. Vamos derrotar a corrupta H!”, escreveu Trump em seu Twitter ontem, referindo-se à rival democrata, Hillary Clinton.

Bombardeado por críticas dos dois partidos, a situação de Trump se agravou após um discurso do presidente Barack Obama, na terça-feira, que o qualificou de incapaz de assumir a presidência dos EUA e conclamou os republicanos a deixar de apoiá-lo. Foi a primeira vez que um presidente americano fez críticas abertas a um candidato a sua sucessão desde 1953.

A revolta com o magnata nova-iorquino do setor imobiliário ampliou-se depois que ele passou dias trocando farpas em público com os pais de um capitão americano muçulmano que morreu em combate no Iraque. A comoção levou muitos republicanos a se distanciarem de Trump e expressarem apoio aos pais do soldado, Khizr e Ghazala Khan, que discursaram na convenção democrata da semana passada.

Nesta quarta-feira, vários veículos de mídia relataram que a campanha de Trump dá sinais de esfacelamento, principalmente depois que o candidato rejeitou os conselhos de sua equipe para abandonar a disputa com os Khans. De acordo com fontes de imprensa, o Comitê Nacional Republicano já analisa alternativas, caso Trump desista da corrida.

O presidente do comitê, Reince Priebus, ficou enfurecido com o bate-boca com os pais do militar morto e conversou várias vezes com Trump pedindo que mudasse de posição, segundo a emissora ABC News. De acordo com o canal, membros do partido estudam uma maneira de substituir Trump na cédula para a eleição de 8 de novembro. A campanha de Trump não comentou a reportagem de imediato.

Na terça-feira, Meg Whitman, proeminente arrecadadora de fundos republicana e presidente executiva da HP, declarou apoio à campanha de Hillary, qualificando Trump de “autoritário” e “ ameaça à democracia”. Em entrevista ao jornal New York Times, Meg disse estar na hora “de pôr o país à frente do partido”.

As críticas de Meg somam-se às do deputado republicano Richard Hanna, o primeiro parlamentar do Congresso a romper com o candidato presidencial e anunciar apoio a Hillary, e às de outros magnatas conhecidos nos EUA, como Michael Bloomberg e Warren Buffet.

Trump tem se defendido atacando seus críticos. Ao discurso de Obama, ele reagiu afirmando que seu mandato foi um “desastre”. “Foi frágil, foi ineficaz. Estou convencido de que sei muito mais de política externa do que ele (Obama).”

O republicano também voltou a falar no risco de fraude na eleição de novembro. Ele afirmou que a recente decisão judicial que derrubou a necessidade de eleitores apresentarem documento com foto para votar era “injusta”. A lei era considerada prejudicial aos negros e mais pobres. / REUTERS, EFE, AFP e AP