Vice da chapa republicana, Pence tenta conter estragos de Trump

Vice da chapa republicana, Pence tenta conter estragos de Trump

O governador de Indiana, que há alguns anos prometeu evitar a baixaria na política, ouviu Trump chamar Hillary Clinton de 'o demônio' e o viu atiçar as chamas de uma desavença com os pais de um soldado americano muçulmano que morreu salvando soldados do país no Iraque

Redação Internacional

05 Agosto 2016 | 15h41

WASHINGTON – Ao aceitar compor a chapa republicana para a disputa da Casa Branca com Donald Trump, o governador de Indiana, Mike Pence, passou a assumir o papel de um responsável pelo controle de danos.

Pence, que há alguns anos prometeu evitar a baixaria na política, ouviu Trump chamar sua rival democrata Hillary Clinton de “o demônio” e o viu atiçar as chamas de uma desavença com os pais de um soldado americano muçulmano que morreu salvando soldados do país no Iraque.

Republican vice presidential candidate, Indiana Gov. Mike Pence and his wife Karen, tour an exhibit of decorated bison for each of Indiana's counties at the Indiana State Fair in Indianapolis, Friday, Aug. 5, 2016. (AP Photo/Michael Conroy)

Mike Pence e sua mulher, Karen, visitam uma exposição de búfalo americano em Indianapolis. Foto: AP Photo/Michael Conroy

Ao contrário de muitos vices de chapa presidenciais, Pence não foi escolhido como pitbull para a eleição de 8 de novembro – Trump desempenha esse papel à perfeição.

A tarefa de Pence é mais difícil: suavizar as grosserias de Trump e limitar os estragos do que muitos republicanos veem como ferimentos autoinfligidos do candidato presidencial do partido.

Uma semana atrás, por exemplo, Pence reviu a lista de alguns veículos de mídia evitados por Trump, dizendo que a campanha está debatendo uma mudança de rumo.

No domingo, enquanto a troca de farpas do magnata com os pais do capitão Humayun Khan fervia, Pence emitiu um comunicado louvando o militar, que chamou de “herói americano”, e afirmando que sua família “deveria ser valorizada por cada americano”.

Na quarta-feira, Pence ofereceu seu apoio à reeleição do presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, que ocupa o mais alto cargo eletivo entre os republicanos, depois de Trump enfurecer muitos líderes partidários por se recusar a fazê-lo.

Pence evita recorrer a insultos. Trump, em contraste, tem prazer em usar alcunhas como “Hillary Corrupta” e “o demônio” para descrever a ex-primeira-dama.

Trump deixou claro que valoriza Pence, dizendo durante um comício na quinta-feira em Portland, no Estado do Maine, que ele e seu colega de chapa têm “um ótimo relacionamento”.

Mas Pence tem de caminhar sobre uma linha tênue. Ao mesmo tempo em que desarma as bombas do candidato a presidente, ele tem de tomar cuidado para mostrar que sabe quem manda, e ainda se ater a seus princípios sem parecer minar o homem que o escolheu como companheiro de chapa.

Caso Trump vença, Pence, um ex-congressista, poderia servir como canal para o Congresso dos EUA. Se Trump perder, pode emergir como possível candidato à Casa Branca em 2020. / REUTERS