Vices de Hillary e Trump trocam acusações em debate

Vices de Hillary e Trump trocam acusações em debate

Democrata Tim Kaine e republicano Mike Pence defenderam programas políticos de seus companheiros de chapa na noite de terça-feira, no único debate entre eles até a votação em 8 de novembro

Redação Internacional

05 de outubro de 2016 | 10h52

WASHINGTON – Os companheiros de chapa de Hillary Clinton e Donald Trump, Tim Kaine e Mike Pence, respectivamente, travaram na noite de terça-feira, 4, um feroz debate na TV, no qual precisaram defender suas virtudes e argumentos para conseguir chegar à Casa Branca.

Os dois candidatos a vice-presidente protagonizaram, assim, o único debate direto nesta campanha para as eleições de 8 de novembro. Hillary e Trump já realizaram um debate, há uma semana, e têm outros dois em agenda antes da disputa eleitoral.

O democrata Kaine e o republicano Pence basicamente repetiram de forma constante os argumentos de seus candidatos presidenciais na campanha, e utilizaram o debate para insistir nos temas que Hillary e Trump abordam em seus discursos e atos públicos.

Assim, Kaine ressaltou durante todo o debate a negativa de Trump de divulgar suas declarações de impostos, enquanto Pence reiterou que Hillary propõe elevar os impostos e foi uma secretária de Estado ineficiente.

As relações de Trump com o líder russo, Vladimir Putin, e os questionamentos à transparência da Fundação Clinton também foram temas permanentemente citados pelos dois candidatos à vice-presidência durante toda a discussão.

Discussão agressiva. Kaine e Pence começaram o debate tentando explicar por que estão prontos para ocupar a vice-presidência dos Estados Unidos, mas em apenas alguns minutos o debate se converteu em um festival de interrupções para defender os candidatos principais.

Kaine, senador e ex-governador do Estado da Virgínia, narrou sua experiência na vida pública e disse estar pronto para apoiar Hillary, que definiu como uma candidata “mais que confiável e altamente qualificada” para conduzir os destinos do país.

O vice democrata declarou que a ideia de “Trump como comandante em chefe nos assusta terrivelmente”, e acrescentou que não consegue entender como Pence pode “defender o estilo egoísta e ofensivo de Trump”.
Com isso, Kaine buscou obrigar Pence a se apresentar como a voz defensora de Trump, tirando dele a iniciativa nas discussões.

Já Pence, um político experiente e governador do Estado de Indiana, respondeu que é a campanha de Hillary que explora insultos diariamente, em referência às críticas constantes dos democratas à candidatura de Trump.

Repetindo um tema que Trump cita regularmente em seus discursos, Pence recordou que “enormes porções do mundo, em particular no Oriente Médio, estão fora de controle” e a atual situação na Síria “é resultado da débil política externa que Hillary Clinton ajudou a conduzir” como secretária de Estado.

Os dois também travaram uma discussão feroz sobre a Rússia, já que Kaine insistiu reiteradamente que Trump sempre reservou elogios a Putin e o próprio Pence se referiu a ele como um “líder”. “Putin é um ditador, não um líder. Um integrante de uma chapa presidencial deveria saber a diferença”, disparou. Enquanto isso, Pence criticou os bombardeios “bárbaros” realizados pela Rússia na Síria e comentou que “o sistema político americano é melhor que o corrupto sistema russo”.

Aos olhos do eleitorado. Os dois aspirantes a vice-presidente acalmaram os ânimos apenas quando narraram a influência da religião em suas vidas. Kaine é um católico, enquanto Pence foi criado como católico, mas já adulto se converteu e se tornou evangélico.

O debate também serviu para tirar das sombras Kaine e Pence, dois políticos com trajetórias respeitáveis, mas que estão longe de poder ser considerados personalidades de peso nacional.

Se Trump é ácido e agressivo em suas declarações, Pence é a antítese: tradicionalmente modesto e profundamente religioso, usa uma retórica extremamente respeitosa e em nenhum momento do debate elevou a voz ou mostrou nervosismo.

Em contrapartida, Kaine mostrou no debate uma agressividade poucas vezes vista em sua trajetória política, e constantemente pressionou Pence com críticas à conduta pública de Trump. Trump, disse Kaine, “não pode nem mesmo começar uma guerra no Twitter com uma rainha da beleza sem dar um tiro no pé”.

Hillary e Trump realizarão no domingo o segundo debate desta campanha. Diferentemente do primeiro encontro, este segundo debate será realizado ante uma audiência que poderá fazer perguntas. / AFP e REUTERS