Vitória de Trump nas eleições presidenciais americanas representa grande derrota para Obama

Vitória de Trump nas eleições presidenciais americanas representa grande derrota para Obama

Presidente americano abusou de seu carismo para tentar impulsionar a candidatura da ex-secretária de Estado, Hillary Clinton; mas resultado sugere que ele não conseguiu interpretar parte dos sentimentos da população do país

Redação Internacional

09 de novembro de 2016 | 14h36

WASHINGTON – A vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos EUA representa uma derrota cruel para o atual presidente Barack Obama, que chegou à Casa Branca como símbolo de uma mensagem de esperança e com a promessa de um país reconciliado.

Obama utilizou todo o peso de seu carisma – assim como o de sua esposa, Michelle – para impulsionar a candidatura de sua ex-secretária de Estado, Hillary Clinton. Além do confronto tradicional entre democratas e republicanos, o sucesso do polêmico magnata de 70 anos é um fato doloroso para Obama.

Presidente dos EUA, Barack Obama, caminha na Casa Btanca (Foto: AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

Presidente dos EUA, Barack Obama, caminha na Casa Btanca (Foto: AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

O resultado sugere que o presidente intelectual, sereno e lógico, que exibe sem descanso um otimismo contagioso e que sempre pediu que as pessoas não cedessem ao cinismo, não soube interpretar uma parte enorme da população americana, seus medos e suas angústias. Trata-se da população fundamentalmente branca que ficou à margem da estrada, abandonada pelo redemoinho da globalização e por uma sociedade que evolui rápido demais para ela.

Obama encerrará sua presidência com a popularidade nas alturas, mas a derrota de Hillary provoca dúvidas concretas sobre o balanço de seu governo. Durante a campanha, Obama chamou Trump de perigo para a democracia, mas em 20 de janeiro entregará as chaves da Casa Branca ao republicano.

“É a democracia em si que está em jogo (…). A tolerância está em jogo. A cortesia está em jogo, assim como a honestidade e a igualdade”, disse o presidente durante a campanha eleitoral.

Trump já adiantou que pretende eliminar com uma canetada as conquistas mais emblemáticas do governo de Obama: o novo sistema público de saúde (Obamacare), os acordos contra o aquecimento global e a associação comercial com países do Pacífico.

Diferenças. Obama é filho de um queniano e de uma americana, que abriu seu caminho para a vida pública ao conseguir estudar nas prestigiosas universidades de Harvard e Yale. Trump herdou os milhões de seu pai e criou um império apoiado em hotéis, cassinos e benefícios fiscais.

Obama tem a oratória exercitada como professor universitário de Direito Constitucional e geralmente opta por expressões longas. Trump é impulsivo e tem a retórica do empresário, com frases curtas, contundentes, muitas vezes agressivas e vulgares.

Em 2011, Trump não era candidato à Casa Branca mas já se destacava por suas polêmicas e teorias da conspiração. Durante vários meses ele alimentou uma campanha que questionava a nacionalidade de Obama, sugerindo que o primeiro presidente negro da história do país poderia ter nascido em outro país.

Cansado e irritado com a campanha, Obama disse: “Não temos tempo para este tipo de estupidez”. O democrata convocou uma entrevista coletiva e exibiu sua certidão de nascimento. Poucos dias depois, durante o jantar da Associação dos Correspondentes na Casa Branca, Obama percebeu a presença de Trump e não desperdiçou a oportunidade. “Donald poderia ter interesse em problemas reais. Por exemplo, simulamos a chegada do homem à Lua?”, ironizou o presidente, para risada dos presentes. / AFP

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