2 Contêiners, uma vista grossa e a economia feita na hora errada

Fátima Lacerda

02 Julho 2016 | 00h57

logoriozh

As redes públicas ARD e ZDF (e não GDF como foi veiculada erroneamente em um portal) foi a pauta desta sexta-feira (01).

Até mesmo o JN concedeu ao roubo, acontecido na noite de quinta-feira (30) um bloco em horário nobre. Foi também supoer solítico disponibilizando um mapa para desenhar o trajeto da cidade de Hamburgo até o Rio de Janeiro.

O âncora W. Bonner divulgou que a notícia foi assunto “na imprensa internacional” e, mais uma vez ousando o paradoxo, não cita nenhum meio de comunicação da Alemanha. Para a Rede Globo a “imprensa internacional” é a imprensa dos EUA ou do Reino Unido: É o New York Times. O Wall Street Journal, o Daily Express ou o The Guardian.

No pós-globalizado em que vivemos, esse caráter obsoleto deveria ter sido extinto do mundo global e de um horizonte infinitamente limitado. Mesmo depois de 26 anos da queda do Muro de Berlim e a igualmente profunda  e considerável mudança da Ordem Mundial desde então, o Sistema Globo de Jornalismo ainda continua apostando no eixo Washington, Londres e Paris. O fato que essa dialética ainda persiste mesmo depois do Brexit, nao deixa de ser um fator de divertimento.

ARDZDF

ARD/ZDF

As duas emissoras abertas são financiadas por todos os alemães com taxas mensais por volta de 20 Euros, a serem pagas por qualquer endereço registrado, independentemente se na casa X existe computador, Tablet ou TV.

A ARD é um conglomerado de emissoras de rádio e de TV espalhadas pela Alemanha.

Na fundação do Estado Alemão em 1949 foi designado constitucionalmnete que assuntos concernentes à mídia assim como de educação são de âmbito regional, por questão de autonomia, mas também considerando a diversidade cultural (resultante da regional) existente no país.

A ZDF é uma emissora com matriz na cidade de Mainz à beira do rio com o mesmo nome e vizinha da cidade de Frankfurt.

Economizando no lugar errado

Para economizar custos, as duas emissoras decidiram por enviar os contêineres juntos, algo que agora se mostra como uma decisão errada. O correspondente da ZDF, Andreas Wunn (desde novembro de 2010 radicado no Rio) e sua equipe estão, perfeitamente, cientes da situação precária, isso para dizer ao mínimo, em que se encontra a cidade do Rio de Janeiro.

No estúdio localizado na Rua Elmano Cardim número 10, aos pés do Pão de Açúcar é planejada toda a agenda de pautas que incluem além do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai e Venezuela.

Do conglomerado ARD, Michael Stocks é o diretor da equipe do Rio de Janeiro.

Na imprensa alemã, tanto matérias divulgando o roubo como também a notícia de que os contêineres foram localizados, foram veiculadas em jornais e sites de pequeno porte.

Edição digital do jornal Stuttgarter Nachrichten:

http://www.stuttgarter-nachrichten.de/inhalt.diebstahl-in-rio-geklautes-equipment-von-ard-und-zdf-aufgetaucht.d70db0d8-a349-4b28-b01c-4eb2fc9f0b4c.html

Express

http://www.express.de/sport/sportmix/schock-vor-olympia-ard–und-zdf-container-in-rio-geklaut–400-000-euro-schaden-24328452

DWDL

http://www.dwdl.de/nachrichten/56612/ardzdf_beraubt_olympiaausruestung_weg/

O navio, que saiu da cidade portuária de Hamburgo chegou no porto do Rio de Janeiro e que, por infinita ironia do destino foi recentemente apelidado de “Porto Maravilha” teve a carga descarregada ainda na noite de sexta-feira (01) e levada para um depósito na Penha.

É inadmissível tal ingenuidade alemã em fazer um transporte com um material no valor de aproximadamente 400 mil Euros, pagos do bolso dos espectadores de carro para a Penha numa noite de sexta-feira, quando a passagem pela Avenida Brasil. Já a ida para o Aeroporto Tom Jobim, mesmo sob a luz do dia, já causa um frio na espinha. Tanto da cidade para o Aeroporto quando no sentido contrário. A qualquer momento pode sair de alguma calcada um bando de carros, para a pista e mandar descer do automóvel. Qualquer motorista de táxi da cidadde, tem ciência desse perigo imimente.

Faltou organização e logística para que o transporte fosse acompanhado pela polícia ou por uma empresa particular de segurança. Pelo que tudo indica, junto com uma boa porção de vista grossa para a calamitosa situação em que vive a “Cidade Maravilhosa” houve também a motivação de economizar no orçamento, que acabou saindo caro. Senão pela perda dos equipamentos (que teriam se desdobrado em críticas na imprensa alemã como desperdício de dinheiro ), mas por ter economizado no lugar e na hora errada. Que os equipamentos foram encontrados logo no dia seguinte na cidade de Magé, foi intúito para diminuir o estrago da imagem veiculada sobre o RJ.

Luiz Fernando de Souza, vulgo Pezão, está de licença para tratamento de saúde. Francisco (Oswaldo Neves) Dornelles (81) aguarda verba de Brasília para “finalizar” o mais urgente para que os atletas possam chegar. O metrô que vai para o Parque Olímpico só funcionará em sistema de improviso e será, imediatamente, fechado depois dos jogos para todo o resto que não ficar pronto até a inauguração, que será, para inglês ver. 

No artigo publicado em 01 de Abril passado no Blog “Inberlin” o tema também é a situacao desastrosa do RJ.