A Berlinale já começou!

Fátima Lacerda

27 de janeiro de 2015 | 19h23

WIN_202-300x168.jpg

20150112.jpg

20150131.jpg

Para os jornalistas que vivem em Berlim, o festival já iniciou há 3 semanas. Todas as seções paralelas organizam as cabines que iniciam por volta de 12 de janeiro. Até o momento do início oficial do festival não é incomum ter assistido entre 20 e 35 filmes, já que dar conta das pautas durante, sem preparação anterior é, usando de um eufemismo hanseático e oportunista, bem infactível.

A coletiva de imprensa, sempre 10 dias antes do início oficial do evento, é matematicamente organizada e tem o intuito de instigar o caldeirão midiático. Hoje (27), não foi diferente.

WIN_2041.jpg

Dieter Kosslick mistura um humor típico de quem vem do sul do país. Um humor arrastado, as vezes com sabor de chocolate amargo, às vezes no limite do politicamente correto. Para entender, não somente as nuances, é preciso não somente conhecê-lo, mas dominar o idioma de Goethe e Schiller. As nuances saem en passant, mas com um efeito fulminante. “Meu inglês é tão bom que até da pra entender em alemão” é a sua frase mais legendária e que, ano por ano, leva ao delírio os convidados da noite de gala na abertura da Berlinale.

Conexão cinematográfica

Ao adentrar o local da coletiva e sendo recebido pelos fotógrafos, esfomeados e não sempre gentis, ele sorriu e disse: “Eu quero mostrar uma coisa pra vocês”. Das mãos da chefe da assessoria de imprensa, ele recebeu uma certidão datada de 1951, a primeira edição do festival, na época no setor britânico da cidade dividida e com um nome emperrado de “Internationale Filmfestspiele Berlin”. A certidão mostrava o prêmio do Urso de Ouro para o filme “Cinderela”.

WIN_2011.jpg

Nesse ano e num novo século tem o remake na mostra competitiva. O papel da sogra endiabrada é interpretado pela incomparável e workaholic Cate Blanchett.

O trabalho do setor de imprensa vem se aperfeiçoando há anos, mas em 2015, eles se superaram. Os e-mails com os anúncios dos filmes, assim como mudanças em mostras, novas premiações e etc, chegaram à caixa postal dos e-mails bem mais cedo do que em edições anteriores.

Hoje, o que tinha pra ser revelado era somente “o restante do júri” e a cobiçada lista de estrelas que confirmaram presença em Berlim. Entre outras:

Cate Blanchett

Helena Bonham-Carter

Robert Pattinson

Charlotte Rampling

James Franco, presente em dois filmes na mostra competitiva como também presente na mostra paralela “Panorama” no filme “I’m Michael.”

Brian Wilson, do Beach Boys

Nicole Kidmann

Helen Mirren

 “Espero que dessa vez possar ver Terence Malick”, declara o diretor (1:04).

Vale lembar que o diretor americano decidiu não mais dar entrevistas e só aparece no tapete vermelho muito raramente.

https://www.youtube.com/watch?v=4IPHjp726Qc

Compromisso com a história

De todos os festivas de categoria A no velho continente, é a Berlinale o de maior cunho político.

Nesse ano (e esse foi o primeiro tópico da coletiva), o festival exibirá filmes que relembram os 70 anos de libertação do campo de concentração de Auschwitz.

Até a mostra do cinema culinário (Kulinarisches Kino, em alemão) exibirá um documentário sobre como se alimentavam os presos dos campos de concentração. “O filme sobre Auschwitz nessa mostra paralela pode parecer inusitado, mas comer mantinha aquelas pessoas vivas”, justificou Kosslick.

Berlinale das mulheres

Assim como em 2012, quando o filme chileno “Gloria” dirigido por Sebastián Leilo foi o ápice de um festival focado na temática de mulheres em diversas fases e situações mais e menos dramáticas de suas vidas, a Berlinale desse ano será terá a presença de fortes mulheres.

Na coletiva da manha de hoje, Dieter Kosslick ratificou como está feliz com a abertura do festival com o filme da diretora espanhola Isabel Coixet, essa que tem um desenvolvimento coerente no festival, onde passou por várias mostras até chegar ao ápice, protagonizando a abertura da noite de gala no dia 5. A protagonista do filme é a francesa Juliette Binoche, uma routinier do festival.

Outro aspecto coerente é a participação de Margarethe von Trotta, nascida em Berlim e uma das mais importantes diretoras do cinema alemão contemporâneo. O que muitos não sabiam, mas que foi ressaltado pelo diretor na coletiva, é que von Trotta foi a primeira diretora a abrir o festival.

Sem saber ao certo como lidar com uma estatística tao magra, frente aos 65 anos do festival, “Dieter” se emendou numa ironia que não deu certo, como ele mesmo constatou no final. “Já estamos quase chegando aos 50%””.

Considerando a linha política do festival, uma das minhas perguntas, foi se é procedente a expectativa de uma manifestação de solidariedade com os redatores de Charlie Hebdo. “A programação do festival fala por ela mesma. Durante toda a história do festival, a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão sempre foram um tema muito presente.

O bom filho à casa volta

O diretor iraniano Javar Panahi, depois de liberado da prisão domiciliar, ele volta a Berlim com um filme que durante 82 minutos, nos leva por uma viagem de táxi pelas ruas de Teerã.

Kosslick também não poupou elogios ao filme do diretor chileno Patrício Guzmán, ressaltando a forte presença do cinema latino-americano em todas as seções do festival. Para acompanhar o festival entre 5-15 de fevereiro em tempo real, acesse a minha conta no Twitter: CinemaBerlin

Tudo o que sabemos sobre:

BerlinaleCinemaColetiva de Imprensa

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.