A choradeira patética de Neymar e o que a imprensa alemã pensa sobre isso

Fátima Lacerda

27 de junho de 2018 | 11h29

 Depois de muitos meses parado, devido à operação e período de recuperação, Neymar era cotado como a maior atração da Copa da Rússia. Suas postagens de exercícios de terapia disponibilizados em sua conta do Instagram eram veiculados pela imprensa alemã como quem diz "a coisa tá rolando". Nem mesmo o goleiro da seleção alemã, Manuel Neuer, também em período de recuperação depois de ficar seis meses parado era um foco midiático de tal intensidade como o camisa 10 da Seleção Canarinho. 

No jogo contra a Suíça a seleção de Tite entrou no campo como se fosse para um amistoso. A ficha não havia caído que o primeiro jogo tem a função de “termômetro” para o torneio que inicia. O jogo contra a Costa Rica não teve o nível de uma equipe que tem o objetivo de se tornar hexacampeã do mundo, muito menos se o atual campeão do mundo é a Alemanha. Sua equipe técnica e os Cartolas da DFB não deixam nenhuma dúvida que viajaram para a Rússia para defender o campeonato e, mais uma vez, fazer história.

Jornal Bild: “Brasil está irritado com Neymar”

Jornal austríaco: Heute: “Neymar esclarece suas lágrimas depois da partida contra Costa Rica”

Revista kicker: “Atingível: O individualismo de Neymar irrita o seu país natal”

https://www.bz-berlin.de/sport/fussball/schwalben-heulen-meckern-brasilien-genervt-von-neymar

http://www.heute.at/sport/wm2018/story/Neymar-erklaert-seine-Traenen-nach-dem-2-0-Sieg-50689356

http://www.kicker.de/news/fussball/weltmeisterschaft/startseite/725946/artikel_nicht-unantastbar_neymars-individualismus-nervt-die-heimat.html

Gols na rebarba

Um dos denominadores comuns dessa Copa são gols marcados na beirada dos 90 minutos e no período de prorrogação. Foi assim na partida do Brasil contra Costa Rica e, especialmente doloroso, na partida entre Alemanha X Suécia com um chute genial de Toni Kross. A carruagem está de um jeito que, atualmente, o Brasil lidera o Grupo E juntamente com a Suíça (4 pontos) e precisa de um empate contra a Sérvia para seguir em frente. Caso a Alemanha vença a Coreia do Sul (necessários no mínimo 2 gols), os adversários nas Oitavas de Final serão Brasil e Alemanha.

Neymar e a choradeira

A imprensa alemã, não “só” o tabloide sensacionalista Bild tem tido pautas sobre o comportamento “infantil”, “ridículo” e “exagerado” de Neymar, aquele no qual o ombro pesa todo o sucesso de uma nação inteira, uma nação seca por um sentimento de vitória, num terreno que era uma constante, independentemente da atual situação política do país.

Neymar provoca em mim, associações nada positivas, mas sim muito sofríveis.

Jürgen Klingsmann, ex-jogador da Seleção Alemã e membro do time quando a Alemanha foi campeã em julho de 1990 na Itália, somente três meses antes da Unificação dos dois Estados Alemães. Assistir um jogo da Alemanha era coisa para quem tem fortes fetiches pelo masoquismo. Klingsmann dava dois passos e caia. Quando essa queda era na grande área durante um lance que era para ser decisivo, eu queria martelar a cabeça dele ou a tela da TV ou os dois. Porém Klingsmann, ao contrário de Neymar Jr, não possuía o talento de fazer teatrinho ou novela e nem se interessava por isso. Sem dúvida, é uma questão cultural. Neymar tem a melhor professora. Sua amada, a atriz Bruna Marquezine, atualmente mostra excelente desempenho vivendo a personagem de Catarina, a Rainha de Artena, na novela das sete, “Deus Salve o Rei”. Também com talento para teatrinho e novela tinha o jogador Cafú que, em bola parada esperando para cobrar escanteio caia, fazia cara de sofrimento sem nenhum motivo aparente caia e chorava.

Depois do jogo contra a seleção da Costa Rica, as redes sociais pipocaram com sátira e zoeira sobre as caídas e choradeiras de Neymar. Talvez a mais curtida de todas as zoeiras tenha sido o GIF mostrando a execução do hino nacional e Neymar já rolando no chão gritando “Ai,meu joelho! Seu juiz eu vou ter que ser operado! ” e um jogador companheiro de equipe, manda: “Levante dai, Neymar. Ainda está no Hino, porra!”.

A nota de dólar com o rosto de Neymar como simpatia para a cotação da moeda cair. Num primeiro momento, as zoeiras causaram boas risadas, mas pensando bem, a causa disso é uma atitude infantil, ridícula para o próprio Neymar e indigna para a Seleção Brasileira, a única que pode exibir 5 estrelas na camisa; ela que foi tão vilipendiada em contextos equivocados, que até mesmo a camisa carrega um ranço, um gosto amargo, que nada tem a ver com futebol. Talvez por isso, muitos torcedorXs tenham optado pela camisa azul, com o intuito de desfazer a infeliz associação (para dizer ao mínimo).

Amigos que são atuantes na área do futebol, seja como radialista, treinador (na ativa e aposentado) ou jornalista veem o comportamento de Neymar como reprovável. “Se ele deixasse esse teatrinho, ele seria realmente um grande jogador” disse meu colega do sul da Alemanha que, juntamento com a ex-lenda do futebol inglês Lineker, citou o Dr. Sócrates como um jogador de postura exemplar, aliás dentro e fora do campo, quando penso na época da “Democracia Corinthiana”.

Como ou sem a camisa azul ou amarela, seria um sinal muito pertinente, se a Seleção Canarinho convencesse no campo. Pela técnica, tática e mentalidade, postura. Neymar era para ser o maestro, um jogador de pulso, um líder. Se não for tarde demais, Manuel Neuer, o goleiro da Nationalelf poderia ser uma referência para Neymar. Neuer, que somente exercitou em três amistosos antes da Copa depois de meses fora de batalha, continua sendo presença fenomenal no gol e jogador líder da equipe liderada por Joachim Löw.

Seria tao bom se a seleção de Tite tivesse uma trajetória honrada e digna pela Rússia. Deixar os torcedorXs esperando durante horas como na Suíça e entrar no hotel pela porta dos fundos não é postura de um campeão. Choramingar no campo como um adolescente com mazelas purbertárias nao é digno da selecao brasileira. Além da dignidade, a Seleção Canarinho incluindo seu principal jogador, irá precisar de caráter para, como tudo indica, enfrentar a Alemanha nas Oitavas de Final. Agora é hora de acerta a fatura em aberto. Como insinua O Professor no comercial veiculado na TV brasileira: “Regatar, recuperar” a auto-estima perdida no Estádio do Mineirão em 2014.