“A Que horas ela volta?” ganha o prêmio de público da mostra “Panorama”

Fátima Lacerda

14 de fevereiro de 2015 | 14h04

A mostra “Panorama é tradicionalmente o reduto do cinema autoral brasileiro na Berlinale. Esse ano isso se espelhou de forma ainda mais concreta. “Sangue Azul” dirigido por Lírio Ferreira abriu a mostra em grande estilo. “A que horas ela volta?” levou o prêmio prestigioso da segunda mostra mais importante do festival.

Um colega, que intimei a assistir o filme, me procurou hoje na sala de imprensa para dar o Feedback: “Eu assisti ao filme ontem” enquanto abria um sorriso de fora a fora. Falamos da cena (a minha preferida), quando Val, magistralmente vivida por Regina Casé, encontra um recipiente de gelo vazio no congelador. “Quem é que faz isso de pegar o recipiente vazio e recolocar na geladeira???”. Essa cena eu conheço de velhos tempos. Para que tirar o papel do chão ou repor a água do filtro no recipiente de gelo se tem que é pago para fazer isso, nao é mesmo? Entretanto, a cena ganha em impacto e consequentemente relevância devido ao humor nela empacotado e no teor de absurdidade contido no texto de Val.. Para o alemão, esse costume de esperar alguém fazer o serviço de casa, causa (para dizer ao mímimo) estrahamento, já que por aqui isso não existe devido ao valor exorbitante da mão de obra, sem falar em regras burocráticas a serem cumpridas quando se contrata um empregado em qualquer âmbito. 

Esse é um filme tipicamente Berlinale“, comentou o meu colega franco-alemão.

Também hoje de manhã, ouvi de duas colegas, uma canadense e outra da Suíça francesa, que me disseram: “Ontem vimos um filme brasileiro que é estupendo!”. “A que horas ela volta?” perguntei mesmo já sabendo a resposta. “A Regina Casé é Süüüperr!”””, exclamou a canadense.

O prêmio de público não traz nenhuma quantia em dinheiro, mas traz um enorme prestígio exatamente porque emana da voz dos cinéfilos não profissionais. Vindo de Sundance com os prêmios de melhores atrizes para Regina Casé e Camila Márdila. Agora o prêmio de prestígio em Berlim. Não é preciso ter bola de cristal para saber que o filme terá, em termos de mercado, uma robusta estrada.

Foi dolorosa a falta de presença física de Regina Casé em Berlim. Ela teria tido aos seus pés um público curioso, gentil e apaixonado pelo cinema. Também faltou agilidade e flexibilidade na empresa de Munique que fez a promoção local do filme.

No programa de rádio para a Funkhaus Europa, um conglomerado de emissoras e rádio e TV, para o qual fui convidada para analisar e dar dicas sobre filmes da Berlinale, em geral e filmes de cunho musical, recomendei o filme dirigido por Anna Mullayert.  O programa foi exibido no dia 03 de fevereiro. Mesmo para quem não entende alemão, vale a pena dar uma conferida. As músicas brasileiras foram selecionadas por mim.

Para ouvir o programa é só clicar em “Loop”, depois no nome do programa “Dschungelfieber“.

http://www.funkhauseuropa.de/sendungen/dschungelfieber/dschungelfieber140.html

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