No dia do eclipse parcial do sol, consumidores alemães ficam a ver navios

Fátima Lacerda

19 Março 2015 | 16h07

A partir das 09:30, horário local da sexta-feira (20), os alemães poderiam conferir o eclipse solar parcial, mas a maioria não terá esse prazer.

O pais da antecipação

Como a Alemanha e o país da antecipação e a indústria não deixa nenhuma oportunidade em castigar o consumidor pelo seu “despreparo”, os óculos especiais, os chamados Só-Fi estão esgotados. Na Internet os valores já se tornaram astronômicos. O óculos que normalmente tem o valor de 2,95 euros, está sendo vendido por 329,00.

Os jornais estão cheios de matérias alertando para o perigo em observar o fenômeno a olho nu, com a grande probabilidade de graves de obter falhas na visão até a cegueira completa. Crianças em idade escolar que não obtiveram os cobiçados óculos, serão proibidas de sair ao pátio do colégio e ficarão nas salas de aula com cortinas fechadas.

O portal Spiegel Online publicou materia com um especialista da Fielmann, a ótica mais conceituada do país. Nadando contra a corrente, a empresa optou por não fazer encomenda dos óculos SO-FI: “Os produtos que tivemos em mãos, não correspondiam ao nosso nível de qualidade”, anunciou o porta-voz.

Também no portal Spiegel Online aparece uma receita de alternativa para os óculos faltantes. Nas redes sociais, os memes são destinados aos usuários que não guardaram seus óculos do eclipse de 1999. A autora desse texto, incluída. A receita, indicada por membros de planetários é uma caixa de papelão e um papel-mantega. Dois furos na caixa de papelão e pronto. Essa receita me parece arriscada. Mesmo que o fenômeno do eclipse parcial do sol só retorne em 2026 e o eclipse total só possa ser vislumbrado em 2081, manter a visão intacta e mais importante do que todo o resto.

Fissurados em astronomia já convocaram, via Facebook, festas para assistir em grupos o fenômeno. A ditadura do “Melhor antes do que depois” venceu sobre as necessidades e a procura, som tardia do consumidor que foi informado também de forma tardia pela mídia, não por contrariar a dialética de que melhor antes do que depois, mas porque o mundo está em convulsão e a notícia sobre um eclipse não é tão relevante como o caos em Frankfurt, o ataque na Tunísia e outras catástrofes cotidianas.

Em uma tentativa marcada para dar errado agora no final da tarde em horário local, colhi sorrisos de compaixão e de “bem feito” na ótica, na loja de departamentos e até na farmácia, que nas terras daqui, tem cara de loja de departamentos. Vou ter mesmo que usar o truque de virar de costas para o sol, ativar a câmera interna do celular e assistir…

E a punição segue com disciplina prussiana

Na Alemanha, você não encontra biquínis durante o verão. As blusas mais bonitas de verão, esgotam na primavera. Em dezembro, as capas de chuva de material de qualidade, estão esgotadas. Quando você vai ao supermercado no final do expediente, encontrar uma bisnaga é mais difícil do que achar a Angela Merkel no celular. Na época da Páscoa, quem não encomendar antecipadamente os pães temáticos para enfeitar amesa da Páscoa, que não e menos que o segundo feriadão mais importante do ano, vai ficar a ver navios.

Todo o tempo e em todos os âmbitos, o consumidor é punido por não estar atento todo o tempo. “Azar o seu” e a expressão que mais se ouve…

Tudo bem que o aviso sobre o eclipse se espalhou na mídia em dos homeopáticas o que resultou numa procura tardia. Mas não seria pedir demais, que a indústria se preparasse melhor para situações como essas. Ela simplesmente subestimou a procura pelos óculos SI-FO.

Para acompanhar no Twitter, o hashtag é #Sonnenfinsternis ou #SoFi2015#Sonnenfinsternis

 

 

 

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