Berlinale 2017: Forte presença brasileira na plataforma “Berlinale Talents”

Fátima Lacerda

11 Janeiro 2017 | 09h04

 Whydontyougetajog

Apesar da crise em que se encontra o Brasil e dos equívocos e tremores de terra no setor cultural em âmbitos regional e nacional num contexto onde somente com a nomeação de André Sturm como Secretario de Cultura de São Paulo deixa uma brecha para otimismo comedido de que nem tudo está perdido, a presença de cineastas brasileiros na plataforma “Berlinale Talents” da edição 2017 da Berlinale é motivo de alegria. Mais do que isso. De alívio. Tem uma nova safra de diretores, roteiristas, atores e atrizes vindo por ai para fazer arte.

Cinema sem fronteiras

Numa época em que muitos países da UE sofrendo do vírus do renascimento das forcas populistas de direita, numa época em que um pesadelo se tornou realidade e um imprevisível irá, em muito breve, se mudar para a Casa Branca, no meio da vontade de construir muros, restabelecer fronteiras e no contexto europeu, dar marcha ré na história, a Sétima Arte em Berlim continua fiel a sua essência e o festival fiel à sua raiz: a de um festival essencialmente político. Basta um olhar na história da criação do festival, na época no setor britânico da cidade dividida.

A plataforma Berlinale Talentos traz neste ano a nata dos talentos emergentes de ao todo 71 países. Ao contrário das últimas edições, em 2017 os cineastas brasucas estão muito bem representados.

Ao todo 13 brasileiros, sendo que 3 deles residem no exterior. São eles:

Cristiana Oliveira: Roteiro e Direção

Diogo Hayashi: Production Designer, Direção de Arte, Direção

Anita Rocha Da Silveira: Direção e Roteiro

Carlos Eduardo Valinoti: Produção

Marcos Lopes: Designer de Som

Caroline Leone, Edição e Direção

Marcio Reolon, Direção e Produção

Felipe Bragança: Direção e Roteiro. Como diz um ditado alemão, “uma velha raposa” entre os novatos. Felipe tem uma prestigiosa lista de filmes para os quais escreveu o roteiro, entre eles, da obra-prima “Girimunho” (2011) e do filme que esteve na competição da Berlinale em 2014, “Praia do Futuro”. Em 2015 Felipe também teve presente no festival, na mostra “Fórum” com seu documentário “Escape from my eyes”, sobre refugiados então acampados na Praça Oranienplatz no bairro de eferverscência urbana e política de Kreuzberg.

Ana Alice De Morais: Produção

Glauco Firpo: Cinematografia e responsável pela emblemática primeira cena do filme “Castanha”, que também marcou presença na Berlinale, Mostra Panorama

Os 3 cineastas brasileiros, atualmente, residentes fora do Brasil são:                                                                                          Raquel Sanccinett: Direção de Arte+Direção (Canadá), João Vieira Torres: Direção (França) e Lud Monaco: Dir. e roteiro (R.Unido)

The Mastaba_Christo_copyright_Wolfgang_Volz_klein© Wolfgang Volz

Palestrantes de luxe

Quem tirou a sorte grande e é convidado para a plataforma, terá verdadeiros workshops Masterclass. Entre os palestrantes deste anos estarão o artista búlgaro Christo, que entre tantos trabalhos memoráveis, “empacotou”, no verão de 1995, o prédio do Reichstag em Berlim, que desde 1999 abriga o parlamento alemão, o Bundestag.

A quem se pergunta por que cargas d’água um artista que empacotou o prédio do parlamento será convidado para palestrar numa plataforma de novos talentos, a resposta é simples. O mega-projetos de Christo, muitos deles com a sua esposa Jeanne-Claude, falecida em 2009 são um upgrade para os objetos que ele “empacota” ou releva.

verhuellter-reichstag-berlin-1995-f8c5fb7a-9654-4cf0-8bec-5688b72350f4 Reichstag, Verão de 1995

Christo eleva o espaço físico à extrema beleza estética, um regozijo para a retina de qualquer pessoa. Os jovens cineastas estarão, no mínimo eufóricos com uma presença tão certeira.

Vale lembrar que, para quem está em Berlim ou pensa em vir para curtir o festival, muitos dos workshops do Berlinale Talents são abertos ao público.

O lema deste ano “Por que você não procura um emprego de verdade?” e “Against all odds”, “contra todas as possibilidades” exibe de forma elegante, porém, certeira, o sarcasmo berlinense zoando com vozes passadas, que diziam que cinema não era trabalha sério. Hahahaha!

https://www.berlinale-talents.de/

 

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